đŸ”« PT quer criar novo imposto para quem tem arma de fogo: “IPAF” pode pesar no bolso dos CACs e profissionais da segurança

đŸ”« PT quer criar novo imposto para quem tem arma de fogo: “IPAF” pode pesar no bolso dos CACs e profissionais da segurança

Proposta do deputado Alencar Santana (PT-SP) institui cobrança periódica para quem possui armas legalizadas, reacendendo debate sobre controle de armas e direito à defesa

O Partido dos Trabalhadores (PT) colocou mais lenha na fogueira do debate sobre posse de armas no Brasil. Um novo projeto de lei, apresentado pelo deputado federal Alencar Santana (PT-SP) e outros parlamentares do partido, quer instituir um imposto específico para quem tem arma de fogo registrada. Batizado de Imposto sobre a Propriedade de Armas de Fogo (IPAF), o tributo seria cobrado de forma recorrente, atingindo desde caçadores e colecionadores até atiradores esportivos e profissionais da segurança privada.

A proposta, que tramita sob o nĂșmero 9/2025 na CĂąmara dos Deputados, faz parte do pacote da reforma tributĂĄria em discussĂŁo no Congresso. O objetivo declarado do projeto Ă© criar uma fonte de arrecadação federal que, segundo os autores, teria carĂĄter tanto fiscal quanto regulatĂłrio.

O problema, segundo crĂ­ticos, Ă© que o imposto viria alĂ©m dos jĂĄ existentes — como os cobrados na compra e venda de armamentos. Ou seja, mesmo quem adquiriu legalmente sua arma e pagou todos os tributos da transação passaria a pagar um valor adicional apenas por mantĂȘ-la registrada em seu nome.

O projeto ainda não detalha quanto serå cobrado nem qual serå a alíquota do novo imposto. Esses critérios ficariam a cargo do governo federal, que também definiria como seria feita a cobrança.

Entre os atingidos diretamente pela medida estariam:

  • CACs (caçadores, atiradores e colecionadores);
  • Atiradores esportivos;
  • Profissionais de segurança privada;
  • CidadĂŁos comuns que tĂȘm arma registrada.

Além do impacto direto sobre esses grupos, o mercado de armas e muniçÔes também pode sentir os efeitos, jå que os custos de manter uma arma legalizada podem aumentar significativamente.

O deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), relator do projeto na ComissĂŁo de Segurança PĂșblica, nĂŁo poupou crĂ­ticas. Para ele, a proposta tem um viĂ©s “proibitivo” e seria uma tentativa da esquerda de barrar o acesso dos mais pobres Ă  legĂ­tima defesa. “O objetivo nĂŁo Ă© regular uma atividade, mas impedir que o cidadĂŁo comum, especialmente o mais pobre, tenha acesso a uma arma de fogo”, afirmou.

Um novo caminho para tributar o setor

O surgimento do IPAF ocorre depois que o Congresso retirou as armas de fogo da lista de produtos sujeitos ao Imposto Seletivo — apelidado de “imposto do pecado” — que serĂĄ aplicado a itens prejudiciais Ă  saĂșde ou ao meio ambiente, como cigarros e bebidas alcoĂłlicas. A exclusĂŁo das armas dessa lista foi resultado da pressĂŁo de parlamentares defensores do direito ao armamento civil.

Diante disso, o PT encontrou uma nova estratégia para taxar esse segmento, propondo um imposto específico e separado do Seletivo.

Debate acalorado Ă  vista

A iniciativa deve esquentar ainda mais o debate no Congresso e nas redes sociais. De um lado, os autores da proposta argumentam que se trata de uma medida para reforçar a arrecadação e aumentar a regulação do setor. Do outro, críticos enxergam um ataque velado ao direito à autodefesa e às pråticas esportivas legalizadas.

Tudo isso acontece em meio Ă  tramitação da ampla reforma tributĂĄria, que pretende substituir vĂĄrios tributos existentes — como ICMS, IPI, ISS, PIS e Cofins — por um imposto Ășnico sobre valor agregado (IVA).

A proposta do IPAF promete ser mais um ponto de discĂłrdia num paĂ­s onde o tema armas Ă© sempre um pavio curto.

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