MTST ocupa sede do Itaú na Faria Lima em protesto por justiça fiscal

MTST ocupa sede do Itaú na Faria Lima em protesto por justiça fiscal

Movimento reivindica taxação dos super-ricos e critica Congresso em meio a disputa entre Planalto e Legislativo sobre o IOF

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e da Frente Povo Sem Medo ocuparam na manhã desta quinta-feira (3) o saguão da sede do banco Itaú BBA, localizada na Avenida Faria Lima — o coração financeiro da capital paulista. Com cartazes, palavras de ordem e críticas ao Congresso, os manifestantes exigiram a taxação de grandes fortunas e cobraram uma reforma tributária mais justa.

O protesto também foi uma resposta direta ao recente embate entre o governo federal e o Legislativo sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O grupo levou faixas com frases como “Acabou a mamata” e “Está na hora de milionário pagar imposto”, questionando a desigualdade tributária no país.

Segundo o MTST, o prédio ocupado — avaliado em R$ 1,5 bilhão — simboliza os privilégios mantidos pelas elites econômicas. Em postagem nas redes sociais, o movimento afirmou: “Entramos no edifício mais caro do Brasil para exigir que os ricos paguem sua parte e que o povo entre no orçamento.”

Procurado, o Itaú preferiu não se pronunciar sobre o protesto.

O contexto da disputa sobre o IOF

O ato ocorre em um momento de tensão crescente entre o governo Lula e o Congresso Nacional. No fim de junho, a Câmara dos Deputados derrubou por ampla maioria um decreto presidencial que aumentava o IOF sobre determinadas operações financeiras. A medida fazia parte do esforço do Ministério da Fazenda para ampliar a arrecadação e atingir a meta fiscal de superávit de 0,25% do PIB em 2026.

Após a rejeição do decreto pelo Congresso e sua confirmação no Senado, a Advocacia-Geral da União recorreu ao Supremo Tribunal Federal na tentativa de reverter a decisão. O governo sustenta que a revogação afeta o equilíbrio das contas públicas e dificulta a implementação do novo arcabouço fiscal.

Entre as mudanças propostas estavam a taxação de 5% sobre títulos antes isentos, como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e do setor imobiliário (LCIs), além de uma alíquota fixa de 17,5% para aplicações sujeitas ao Imposto de Renda.

Enquanto o embate jurídico se desenrola, o protesto do MTST ecoa o sentimento da maioria da população: segundo o Datafolha, 76% dos brasileiros apoiam a taxação dos super-ricos.

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