
đš Anistia Ă Vista? PL de Bolsonaro tenta acelerar projeto que pode livrar rĂ©us do 8 de janeiro â e beneficiar o prĂłprio ex-presidente
Pedido de urgĂȘncia agita CĂąmara e reacende debate: Bolsonaro pode ser anistiado com novo projeto defendido pelo seu partido
O Partido Liberal (PL), liderado por SĂłstenes Cavalcante (RJ) na CĂąmara dos Deputados, apresentou nesta segunda-feira (14) um pedido de urgĂȘncia para a votação de um projeto de lei que propĂ”e anistiar todos os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 â e, segundo especialistas, isso pode acabar abrindo caminho para beneficiar o prĂłprio Jair Bolsonaro.
O projeto, que inicialmente tratava apenas de protestos realizados apĂłs a derrota de Bolsonaro nas eleiçÔes de 2022, foi ampliado para incluir tambĂ©m os participantes da invasĂŁo Ă s sedes dos TrĂȘs Poderes. A proposta Ă© defendida com unhas e dentes pela oposição bolsonarista, que alega que as penas impostas aos condenados sĂŁo desproporcionais.
Estratégia antecipada para driblar pressão
SĂłstenes, um dos nomes mais prĂłximos de Bolsonaro, afirmou em suas redes sociais que antecipou a movimentação diante da âpressĂŁo covarde do governoâ para barrar o avanço da proposta. O requerimento jĂĄ conta com 264 assinaturas â mais do que o necessĂĄrio para aprovação (257) â e, se aceito, pode acelerar a tramitação, eliminando a necessidade de passar por todas as comissĂ”es da Casa.
No entanto, a palavra final sobre a tramitação ainda depende do presidente da CĂąmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo o deputado JosĂ© GuimarĂŁes (PT-CE), hĂĄ mais de mil pedidos de urgĂȘncia aguardando anĂĄlise, e nĂŁo hĂĄ qualquer garantia de que este serĂĄ priorizado.
O que o projeto prevĂȘ
A nova versĂŁo do texto prevĂȘ:
- Anistia a todos que participaram, apoiaram ou financiaram os atos de 8 de janeiro, incluindo açÔes preparatórias e posteriores;
- Perdão também a quem incentivou os atos nas redes sociais;
- Extinção das penas de condenados e suspensão de processos em andamento;
- Mudanças no CĂłdigo Penal para exigir prova de violĂȘncia grave nos casos de ataque ao Estado DemocrĂĄtico;
- Preservação dos direitos polĂticos dos envolvidos.
O texto chegou a ser discutido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Cùmara, mas nunca foi votado.
Especialistas veem brechas para livrar Bolsonaro
Apesar dos discursos negando que a medida seja feita sob medida para o ex-presidente, juristas alertam para o potencial impacto direto sobre ele. O texto menciona que a anistia se aplicaria tambĂ©m a eventos âanteriores ou posterioresâ relacionados aos atos do 8 de janeiro â o que, na prĂĄtica, pode alcançar a conduta de Bolsonaro.
AlĂ©m disso, ao incluir crimes âcom motivação polĂtica e/ou eleitoralâ e âconexosâ aos atos, o projeto deixa margem para que o ex-presidente â hoje rĂ©u no STF por suposta tentativa de golpe â entre no rol dos beneficiados.
Segundo o professor Davi Tangerino (UERJ), essa redação abre espaço jurĂdico para livrar Bolsonaro. Pierpaolo Bottini (USP) vai na mesma linha: a menção a crimes âconexosâ permite estender o benefĂcio a todos que tiveram qualquer ligação com o episĂłdio â inclusive o prĂłprio lĂder do PL.
Governo e aliados reagem
Do lado do governo, a reação Ă© de forte resistĂȘncia. A ministra Gleisi Hoffmann (PT) disse que atĂ© pode haver debate sobre a proporcionalidade das penas impostas, mas descartou qualquer possibilidade de perdoar os articuladores do ataque ao Estado DemocrĂĄtico.
âA anistia para quem liderou ou financiou um plano de golpe nĂŁo pode acontecer. Isso Ă© abrir caminho para a impunidade institucionalizadaâ, alertou.
A disputa promete acirrar ainda mais os Ăąnimos em BrasĂlia â e o futuro do projeto agora estĂĄ nas mĂŁos da Mesa Diretora da CĂąmara.