
🚨 Professoras levavam alunos a motel e gravavam vídeos: caso choca cidade de Santa Catarina
⚖️ Polícia Civil investiga educadoras suspeitas de envolvimento com estudantes e gravação de conteúdos impróprios em Araranguá.
O que deveria ser um espaço de aprendizado virou manchete policial. Duas professoras de uma escola estadual de Araranguá (SC) estão sendo investigadas após denúncias de que levaram quatro alunos adolescentes a um motel da cidade, onde teriam ocorrido gravações de vídeos com teor sexual e consumo de bebidas alcoólicas.
A operação, batizada de “Exame Final”, foi deflagrada pela Polícia Civil na última sexta-feira (10), com o objetivo de reunir provas sobre possíveis crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A denúncia surgiu quando alunos procuraram o setor psicossocial da escola para relatar o envolvimento de uma das professoras com estudantes fora do ambiente escolar.
De acordo com os depoimentos, os encontros ocorriam em um motel da região, e os vídeos teriam sido gravados durante essas reuniões. As informações foram encaminhadas à Coordenadoria Regional de Educação, que abriu um processo administrativo e acionou oficialmente a Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI).
Com base nas denúncias, a delegada Eliane Chaves pediu à Justiça seis mandados de busca e apreensão, cumpridos em diversos endereços com o apoio de cerca de 20 agentes e peritos da Polícia Científica. Foram apreendidos celulares, computadores e outros dispositivos que agora passam por perícia.
Segundo a delegada, o foco da investigação é determinar se houve produção, armazenamento ou compartilhamento de material pornográfico com adolescentes — o que é considerado crime grave. Também está sendo apurada a oferta de bebidas alcoólicas e a omissão de funcionários que possam ter tido conhecimento dos fatos.
Eliane Chaves fez questão de pontuar que, embora o relacionamento entre adultos e adolescentes acima de 14 anos consensual não seja tipificado como estupro de vulnerável, a gravação ou difusão de imagens com teor sexual é crime, mesmo com consentimento.
“O problema central não é o ato em si, mas o registro dessas imagens e o possível compartilhamento. Isso é crime e pode resultar em até oito anos de prisão”, explicou.
A delegada também criticou a forma como parte da sociedade reagiu ao caso, tratando o episódio com ironia por envolver garotos como vítimas.
“O ECA protege meninos e meninas igualmente. A banalização desses casos mostra o quanto ainda precisamos evoluir na forma de entender a violência sexual”, afirmou.
As professoras envolvidas foram afastadas dos cargos, e a Polícia Científica ainda não definiu prazo para a conclusão da análise dos materiais apreendidos. O caso segue sob sigilo judicial, enquanto a comunidade local tenta lidar com o choque de um episódio que expõe a fragilidade das fronteiras entre autoridade e abuso.