
STF põe Bolsonaro na berlinda: julgamento urgente avalia medidas impostas por Moraes
Ex-presidente usa tornozeleira eletrônica e está proibido de interagir nas redes sociais e com aliados. Decisão de Moraes sobre medidas restritivas será analisada em sessão extraordinária do Supremo nesta sexta (18).
O Supremo Tribunal Federal (STF) colocou Jair Bolsonaro novamente no centro da crise política e judicial. O ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma da Corte, convocou uma sessão extraordinária para esta sexta-feira (18/7), com o objetivo de avaliar as medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes contra o ex-presidente. O julgamento, em ambiente virtual, estará aberto até segunda-feira (21), às 23h59.
A decisão de Moraes, que motivou a análise urgente, determinou o uso de tornozeleira eletrônica por Bolsonaro, proibição de uso de redes sociais, e ainda restrições severas de contato: o ex-presidente não pode falar com o filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, nem se aproximar de diplomatas ou embaixadas.
A ofensiva da Justiça veio após a Polícia Federal realizar buscas na residência de Bolsonaro e na sede do PL em Brasília, na manhã desta sexta. Os agentes encontraram cerca de US$ 14 mil e R$ 8 mil em dinheiro vivo, além de um pendrive escondido num banheiro, que será periciado. O ex-presidente também está proibido de interagir com redes sociais e se recolherá todas as noites em casa, como parte do pacote de restrições.
Suspeitas graves e confissão velada
Segundo a investigação, Bolsonaro é acusado de tentar obstruir o andamento de processos judiciais, intimidar autoridades e até de conspirar contra a soberania nacional. Moraes afirmou, em sua decisão, que Bolsonaro teria confessado de maneira “consciente e voluntária” uma tentativa de interferência na Justiça, com ajuda de seu filho Eduardo.
O pedido para impor essas medidas partiu da Polícia Federal, com aval da Procuradoria-Geral da República. De acordo com os investigadores, o ex-presidente agia para atrapalhar o processo penal no qual é réu por tentativa de golpe de Estado, além de coagir envolvidos e ameaçar instituições democráticas.
Reações e silêncio barulhento
A defesa de Bolsonaro reagiu com indignação, afirmando ter sido surpreendida pelas ações da PF e pelas restrições impostas. No entanto, a retórica já conhecida de “perseguição política” se repetiu nas declarações públicas de seus aliados, como Eduardo e Flávio Bolsonaro.
Agora, o destino do ex-presidente está nas mãos dos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Luiz Fux, que compõem a Primeira Turma. Enquanto isso, o país acompanha mais um capítulo da longa novela que mistura política, Justiça e escândalos – onde o roteiro, ao que tudo indica, ainda está longe do fim.