
đš TikTok sugere pornografia para crianças: relatĂłrio denuncia falha grave
Mesmo com contas configuradas para segurança mĂĄxima, o algoritmo do app continua recomendando conteĂșdo sexualizado a usuĂĄrios de 13 anos.
Um novo relatĂłrio da organização de direitos humanos Global Witness revelou que o TikTok estĂĄ sugerindo pornografia e conteĂșdo sexual para contas de crianças. Pesquisadores criaram perfis falsos de adolescentes de 13 anos e ativaram todas as medidas de segurança disponĂveis, mas ainda assim receberam recomendaçÔes de vĂdeos sexualmente explĂcitos, incluindo cenas de penetração.
Segundo a organização, mesmo com o âmodo restritoâ ligado, que supostamente bloqueia temas adultos, a seção âvocĂȘ pode gostarâ do app exibiu vĂdeos de mulheres simulando atos sexuais, mostrando partes Ăntimas em pĂșblico ou com roupas sugestivas. Em alguns casos, o conteĂșdo incluĂa filmes pornogrĂĄficos explĂcitos, camuflados em vĂdeos aparentemente inofensivos â um mecanismo que dribla a moderação da plataforma.
A reação do TikTok foi afirmar que o app âestĂĄ totalmente comprometido em oferecer experiĂȘncias seguras e adequadas para menores de idadeâ e que tomou medidas imediatas apĂłs ser alertado pelo relatĂłrio. A empresa disse ainda que remove 9 em cada 10 vĂdeos que violam suas regras antes de serem visualizados e que possui mais de 50 ferramentas de proteção para adolescentes.
No entanto, pesquisas recentes mostram que o TikTok ainda recomenda conteĂșdo sexual a contas de crianças, mesmo apĂłs ajustes. AlĂ©m disso, denĂșncias anteriores indicam que a plataforma lucrou com transmissĂ”es ao vivo de conteĂșdo sexual feito por menores, retendo cerca de 70% do valor pago pelos espectadores.
O contexto internacional tambĂ©m pressiona o TikTok. No Reino Unido, a Online Safety Act exige que plataformas digitais impeçam o acesso de menores a conteĂșdos nocivos, incluindo pornografia, e ajustem algoritmos para bloquear material que incentive suicĂdio ou automutilação. O descumprimento pode gerar multas milionĂĄrias ou atĂ© prisĂŁo para executivos.
No Brasil, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, sancionado por Lula em setembro de 2025, estabelece que empresas de tecnologia devem proteger menores de conteĂșdos prejudiciais. A fiscalização caberĂĄ Ă ANPD, e o governo enfatiza que as big techs nĂŁo podem se autorregular sem supervisĂŁo.
A denĂșncia reforça a preocupação de especialistas e ativistas: mesmo com alertas globais e legislação rigorosa, crianças continuam expostas a riscos sĂ©rios na internet, enquanto as plataformas seguem buscando formas de lucrar, muitas vezes Ă custa da segurança dos usuĂĄrios mais jovens.