đŸ›Łïž Dinheiro pĂșblico no caminho do lucro privado

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Giordano destina R$ 3 milhĂ”es para estrada que leva ao seu prĂłprio hotel, mas diz que Ă© “em nome do interesse pĂșblico”

O senador Alexandre Giordano (MDB-SP) destinou R$ 3 milhĂ”es de recursos pĂșblicos para obras de paisagismo numa estrada de Morungaba (SP), cidade com pouco mais de 13 mil moradores no interior paulista. O que chamou atenção? A via contemplada leva diretamente ao Hotel Fazenda SĂŁo Silvano, propriedade do prĂłprio parlamentar.

A verba foi enviada por meio de uma emenda Pix, modalidade que permite que o dinheiro caia diretamente na conta do municĂ­pio, sem qualquer necessidade de aprovação do governo federal — um atalho jurĂ­dico que tem levantado debates sobre transparĂȘncia e fiscalização.

A estrada em questĂŁo Ă© a Benedito OlegĂĄrio Chiavatto, apelidada de “Rota do Charme”. Segundo informaçÔes do governo federal, o investimento serĂĄ usado para paisagismo da via — ou seja, nĂŁo se trata de asfalto ou infraestrutura bĂĄsica, mas de melhorias estĂ©ticas. Curiosamente (ou nem tanto), Ă© a mesma estrada que dĂĄ acesso direto ao hotel de luxo de Giordano, onde as diĂĄrias passam de mil reais.

O Hotel Fazenda SĂŁo Silvano estĂĄ registrado em nome do senador desde 2015, junto com um grupo empresarial tambĂ©m ligado a ele. Procurado, Giordano respondeu, por meio de sua assessoria, que a destinação das emendas atende a pedidos de autoridades locais e “estĂĄ em consonĂąncia com o interesse pĂșblico”.

“O recurso Ă© para uma via pĂșblica que atende Ă  coletividade”, justificou, destacando que os trĂąmites legais foram respeitados. No entanto, o fato de a obra beneficiar diretamente um empreendimento privado de sua propriedade levanta dĂșvidas sobre conflitos de interesse e uso indevido de verba pĂșblica.

A obra ainda nĂŁo começou — aguarda a contratação da empresa e finalização do projeto. Mas a conexĂŁo entre o investimento e o negĂłcio pessoal do senador jĂĄ gerou repercussĂŁo negativa. Para completar, no ano passado, Giordano destinou quase R$ 15 milhĂ”es em emendas para a mesma cidade, administrada por um de seus aliados polĂ­ticos, o prefeito LuĂ­s Fernando Miguel (PSD), conhecido como Marquinho.

Mais uma vez, a fronteira entre o pĂșblico e o privado parece ter se dissolvido sob o verniz do “interesse coletivo”. Enquanto isso, a estrada do senador estĂĄ prestes a ganhar paisagem nova — bancada, claro, com o dinheiro de todos.

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