
Nikolas Ferreira e Jones Manoel entram em confronto nas redes após ação dos EUA na Venezuela
Troca de ataques começou depois de montagem com Lula e reacendeu debate sobre soberania e intervenção estrangeira
A operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que terminou com a captura de Nicolás Maduro, provocou reflexos também no cenário político brasileiro. O episódio deu origem a uma troca pública de provocações entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o historiador e comunicador Jones Manoel, conhecido por sua atuação ligada à esquerda.
A controvérsia começou após Nikolas publicar, na rede social X, uma montagem que mostrava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sendo levado por militares norte-americanos, em referência direta à prisão de Maduro. A imagem repercutiu rapidamente e gerou forte reação de Jones Manoel.
Em um vídeo divulgado no Instagram no domingo (4), Jones criticou duramente a publicação do deputado, afirmando que esse tipo de conteúdo reforça a ideia de que os Estados Unidos poderiam intervir livremente em países da América Latina, incluindo o Brasil. Para ele, a associação entre Lula e a operação americana legitima discursos de interferência externa nos assuntos internos do país.
O historiador também acusou setores da oposição brasileira de apoiarem, ainda que indiretamente, a atuação de uma potência estrangeira como forma de enfraquecer o governo brasileiro. Segundo Jones, essa postura representaria “entreguismo” e colocaria em risco a soberania nacional. Em suas redes, afirmou que políticos com esse tipo de posicionamento não seriam tolerados em outros países.
A resposta de Nikolas veio em tom de deboche. O deputado publicou uma ilustração de Jones Manoel acompanhada da frase “Nós, o povo soviético”, ironizando a orientação ideológica do historiador. A legenda, igualmente sarcástica, ampliou a repercussão do embate.
Jones, por sua vez, reagiu com palavras duras, acusando o parlamentar de defender a intervenção de uma potência estrangeira no Brasil enquanto criticaria decisões judiciais internas envolvendo aliados políticos. O historiador classificou a postura do deputado como contraditória e ofensiva à democracia.
Até o momento da publicação desta matéria, Nikolas Ferreira não havia feito uma nova resposta direta às críticas. Jones Manoel, além do deputado mineiro, também citou governadores como Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ratinho Júnior e Ronaldo Caiado como figuras que, segundo ele, demonstrariam simpatia por uma possível ação externa contra o governo Lula.
O episódio evidencia como a crise venezuelana extrapolou as fronteiras do país e passou a alimentar disputas ideológicas e narrativas políticas no Brasil, especialmente nas redes sociais.