
7 de Setembro em Recife: Trump gigante nas ruas e a inversão do patriotismo
Manifestantes bolsonaristas desfilam com boneco do ex-presidente dos EUA e bandeira americana, enquanto políticos questionam o verdadeiro sentido da data
No Recife, a celebração do 7 de Setembro ganhou um protagonista inusitado: um boneco gigante do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A imagem, inusitada e provocativa, gerou críticas imediatas.
Pedro Campos (PSB-PE), líder do partido na Câmara, não poupou palavras: classificou os manifestantes bolsonaristas como “patriotas de araque” e perguntou ironicamente: “Quem é Dom Pedro I do lado de Donald Trump?”.
Enquanto isso, em São Paulo, na movimentada Avenida Paulista, outro grupo de bolsonaristas carregava uma bandeira gigante dos Estados Unidos. Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos EUA desde março, justificou o ato em uma publicação no X (ex-Twitter) como um “protesto pela liberdade” contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e um “agradecimento” a Trump.
Do outro lado, líderes governistas reprovaram a ação. Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do partido na Câmara, criticou duramente: “Olhem o tamanho da bandeira dos Estados Unidos na Paulista. Eles não deviam ir às ruas no dia 7 de Setembro. Essa data é nossa, dos brasileiros.”
A cena em Recife e São Paulo mostra como a simbologia de uma data histórica pode ser distorcida por interesses políticos, transformando o que deveria ser celebração da independência em palco de exaltação estrangeira.