
De mãos dadas até o fim: a dor que as águas não levaram no Texas
Brooke e Blair Harber, de 11 e 13 anos, foram encontradas abraçadas pela correnteza a 25 km de onde desapareceram. Elas passavam o feriado com os avós — ainda desaparecidos — quando a enchente surpreendeu a todos. O número de mortos já chega a 91, com dezenas ainda desaparecidos.
Reescrita com estilo humano e sensível:
As irmãs Brooke e Blair Harber, de 11 e 13 anos, foram encontradas sem vida, de mãos dadas, a cerca de 25 quilômetros de onde a enxurrada as levou. A informação foi compartilhada com profunda dor pela tia das meninas, Jennifer Harber.
As duas estavam hospedadas com os avós em uma cabana à beira do Rio Guadalupe, na cidade de Hunt, no Texas, quando um temporal devastador pegou a região de surpresa na madrugada do feriado de 4 de Julho. Seus pais estavam em outra cabana, mais afastada do rio, e conseguiram se salvar. Já os avós, Mike e Charlene Harber, continuam desaparecidos.
O fim de semana, que deveria ser de descanso e celebração em família, se transformou em uma tragédia inimaginável. A tia das meninas descreveu a cena dolorosa em entrevista à emissora local KHOU 11 e também numa página de arrecadação online criada para ajudar a família.
Uma tragédia histórica no Texas
Segundo as autoridades, as chuvas torrenciais que caíram sobre o centro do Texas fizeram o nível do Rio Guadalupe subir 9 metros em apenas duas horas — um salto impressionante que destruiu pontes, varreu casas e engoliu acampamentos inteiros. As inundações-relâmpago já causaram pelo menos 91 mortes até esta segunda-feira (7), número que ainda pode aumentar.
O condado de Kerr, onde fica Hunt, foi o mais afetado. Só ali, foram encontradas 75 vítimas, incluindo mais de 20 crianças. Outras 41 pessoas seguem desaparecidas.
Entre os locais devastados está o tradicional acampamento cristão Camp Mystic, fundado em 1926 e exclusivo para meninas. O local, que recebia cerca de 750 jovens, foi destruído pela força da água. Pelo menos 27 meninas e monitoras morreram ali. As buscas por outras vítimas continuam, com o apoio de helicópteros e equipes de resgate que enfrentam a lama e os escombros.
Famílias em busca de respostas
Os relatos são angustiantes. Algumas meninas conseguiram fugir descalças no escuro, enquanto outras foram surpreendidas dormindo. Uma adolescente de 13 anos contou que o barulho da água batendo nas paredes foi o que a acordou, e que passaram horas sem comida, luz ou qualquer tipo de comunicação.
O cenário lembra outra tragédia, ocorrida em 1987, quando um ônibus com adolescentes foi arrastado pelo mesmo rio, matando dez meninas. Agora, o trauma se repete, ainda mais devastador.
E ainda pode piorar
O Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA alerta que novas chuvas são esperadas até terça-feira (8), o que pode agravar ainda mais a situação. O solo já está saturado, e qualquer nova precipitação pode gerar mais enchentes-relâmpago. Famílias e voluntários continuam ajudando nas buscas, mesmo com o risco de novas tempestades.
As irmãs Harber são agora símbolo de uma tragédia que marcou para sempre o Texas. Encontradas de mãos dadas, como se uma segurasse a outra até o último instante, elas deixaram uma imagem que nenhuma enchente será capaz de apagar.