
A “ameaça” do ar-condicionado: especialista em segurança precisa de proteção por falar demais
Jacqueline Muniz, professora da UFF com três décadas dedicadas à segurança pública, vira alvo de ataques e precisa de escolta — ironicamente, da mesma estrutura estatal que ela tenta reformar.
No Brasil, até quem entende de segurança precisa pedir segurança. A professora Jacqueline Muniz, da Universidade Federal Fluminense (UFF), especialista com mais de 30 anos de carreira, virou o novo alvo de uma fúria digital depois de dizer, em entrevista, que um policial treinado poderia render um bandido “até com uma pedra”. A fala — claramente didática — foi recortada, distorcida e lançada nas redes por políticos e influenciadores de extrema direita, que transformaram o exemplo técnico em piada de mau gosto.
O resultado? A pesquisadora, que já foi diretora da Secretaria de Segurança Pública do Rio e ajudou a criar protocolos da própria Polícia Militar, passou a receber centenas de ameaças por dia. Ironia das ironias: agora precisa ser protegida pelo Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, o mesmo Estado que ela sempre tentou ajudar a melhorar.
Enquanto isso, nas redes, deputados bolsonaristas se divertiam levando pedras para o plenário — como se estivessem no recreio — zombando de quem dedica a vida a estudar a segurança pública que eles apenas teatralizam.
Jacqueline, alvo de mais de 300 mensagens de ódio diárias, diz que o episódio é uma tentativa de silenciar o pensamento crítico e transformar o debate público em caricatura. “Eles atacam a mulher, mas não destroem uma trajetória de 30 anos de pesquisa”, afirmou.
A professora agora vive sob vigilância, acompanhada por seguranças e psicólogos — uma proteção necessária num país em que o ódio virou método e a ironia virou arma. Afinal, estamos no Brasil: onde quem defende a vida precisa se esconder, e quem a ameaça ganha microfone.