
Advogada de chefes do Comando Vermelho é recebida com tapete vermelho na Comissão de Direitos Humanos da Câmara
Flávia Fróes, defensora de nomes como Rogério 157 e Marcinho VP, foi acolhida por parlamentares do PT e elogiada pelo presidente da comissão, Reimont, que chegou a propor projeto em favor da ONG da advogada.
No país onde tudo se mistura — do crime à política, da cela ao plenário —, até advogada de chefes do Comando Vermelho ganha espaço no Congresso em nome dos “direitos humanos”. Flávia Fróes, conhecida por defender figuras como Marcinho VP e Rogério 157, foi recebida com cortesia na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, presidida pelo petista Reimont (PT-RJ).
Não foi uma visita qualquer. A advogada chegou com dossiês, projetos de lei e uma causa nobre: criminalizar “chacinas” e denunciar supostas torturas em operações policiais no Rio. O detalhe curioso é que o acolhimento veio de políticos que, no mesmo fôlego, costumam pregar “tolerância zero” contra a violência — mas só quando convém.
Fróes, fundadora da ONG Instituto Anjos da Liberdade, não é novata nos corredores do poder. A entidade, aliás, já recebeu elogios do próprio Reimont, que, em 2020, apresentou um projeto na Câmara do Rio de Janeiro para torná-la “de utilidade pública”, o que garantiria prioridade no recebimento de recursos públicos.
Com uma carreira marcada por defesas de réus do crime organizado, Flávia insiste que sua atuação jurídica não deve ser confundida com a dos clientes. “Defender não é compactuar”, afirmou, destacando que o trabalho do instituto é legítimo e reconhecido.
Ainda assim, a cena tem um certo sabor de ironia: enquanto mães de vítimas de facções raramente são ouvidas, advogados de líderes do tráfico cruzam os tapetes do Congresso com crachá e direito a fotos oficiais.
O presidente da CDH tentou se justificar, dizendo que a comissão “recebe a todos” e que seu papel é “ouvir sem emitir juízo de valor”. Um argumento louvável — embora soe mais como cortesia seletiva.
No fim, o episódio revela o velho enredo brasileiro: os que clamam por direitos humanos para os “manos” continuam sendo recebidos de braços abertos, enquanto as vítimas de verdade esperam, do lado de fora, que alguém as escute.