
“Mesada internacional”: Careca do INSS teria usado empresa em Portugal para bancar Lulinha
Ex-funcionário afirma que repasses milionários ao filho de Lula passaram por uma empresa de cannabis medicinal, mas até agora nada foi comprovado.
A história que ronda os bastidores do poder parece roteiro de série: um lobista apelidado de Careca do INSS, um negócio de maconha medicinal em Portugal e um suposto fluxo de dinheiro que teria chegado até Lulinha, o filho mais velho do presidente Lula.
Segundo pessoas próximas a Edson Claro, ex-funcionário da World Cannabis, foi por meio dessa empresa que teriam sido feitos pagamentos ao herdeiro petista. A World Cannabis pertence ao próprio Careca do INSS e ao filho dele — e apesar de ter sede em Brasília, mantém braços no exterior.
Careca está preso desde setembro, acusado de atuar como intermediário num esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias, revelado pelo Metrópoles. Já Claro, que trabalhou na unidade paulista da empresa e afirma ter sido ameaçado pelo lobista, relatou à Polícia Federal que os repasses chegariam a R$ 25 milhões, mais uma mesada de R$ 300 mil.
Apesar das declarações, investigadores afirmam que ele apresentou apenas sinais, nada que comprove de fato o caminho do dinheiro. No meio da confusão, surge o nome de Roberta Luchsinger, herdeira de um banco suíço e figura já conhecida do entorno petista. Ela teria servido de ponte entre o lobista e o círculo próximo de Lula. Roberta, inclusive, ganhou notoriedade ao prometer doar R$ 500 mil ao presidente quando ele teve contas bloqueadas na Lava Jato.
As informações de Claro já bateram à porta da CPMI do INSS. Ele se reuniu com o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), e com o presidente da comissão, senador Carlos Vianna (Podemos-MG). Claro, que atua há décadas no setor de medicamentos, teria deixado a World Cannabis após a Operação Sem Desconto, mas ainda se encontrou algumas vezes com o lobista em busca de bens que estariam em posse dele.
Procurado, Edson Claro preferiu o silêncio. Lulinha, que se mudou para Madri no meio do ano, também não se manifestou. O espaço segue aberto para todos os citados.
Convocação rejeitada na CPMI
No dia 4/12, a CPMI barrou um pedido para convocar Lulinha. Foram 19 votos contra e 12 a favor. O Novo, autor do requerimento, insiste que há sinais de ligação entre operadores da chamada “Farra do INSS” e o filho do presidente.
Entre os elementos citados, está a movimentação do dirigente petista Ricardo Bimbo, que teria recebido mais de R$ 8,4 milhões de uma empresa suspeita e, no mesmo período, quitou um boleto referente ao contador de Lulinha.