Alerj Pressiona e Determina Soltura de Bacellar — Agora é o STF que Dá a Palavra Final

Alerj Pressiona e Determina Soltura de Bacellar — Agora é o STF que Dá a Palavra Final

Após votação acirrada, Assembleia comunica decisão a Moraes, que pode manter deputado afastado mesmo em liberdade

A Assembleia Legislativa do Rio publicou no Diário Oficial desta terça-feira a resolução que desfaz a prisão do deputado Rodrigo Bacellar (União). A decisão, tomada na véspera por 42 votos a 21, foi assinada pelo presidente interino da Casa, Guilherme Delaroli, e já enviada ao Supremo Tribunal Federal.

Bacellar permanece detido na Superintendência da Polícia Federal desde a última quarta-feira. Mas, pelos cálculos de parlamentares, sua saída da cela deve acontecer tão logo o STF receba a notificação oficial — algo que, nos bastidores, é tratado como questão de horas, embora não exista prazo formal.

A Alerj informou que, assim que a resolução foi publicada, um e-mail foi encaminhado diretamente ao Supremo, comunicando a decisão dos deputados fluminenses.

Apesar da tendência à libertação, o clima no Palácio Tiradentes segue dividido. Há quem acredite que o ministro Alexandre de Moraes — responsável pela ordem de prisão — deve manter Bacellar afastado do mandato como medida cautelar. Outros aliados, especialmente os mais próximos, tentam afastar essa possibilidade.

Na decisão que levou o deputado para a cadeia, Moraes afirma que há “fortes indícios” de que Bacellar atuava como parte de uma organização criminosa, interferindo em investigações e influenciando decisões dentro do próprio governo estadual. Segundo a PF, ele teria vazado informações da operação Zargun, cujo alvo principal era o deputado TH Jóias, suspeito de ligação com o Comando Vermelho.

A investigação descreve um cenário de “estado paralelo”, onde figuras influentes da política fluminense seriam responsáveis por avisar criminosos antes de operações policiais — uma engrenagem silenciosa que comprometeria ações contra facções violentas.

Na Alerj, a Comissão de Constituição e Justiça se limitou a discutir a legalidade da prisão, evitando entrar no debate sobre afastar ou não Bacellar. O próprio presidente da CCJ, Rodrigo Amorim, admitiu receio de esticar a corda com Moraes.

Para o jurista Lenio Streck, no entanto, se a Casa votou pela liberdade, não faria sentido impor medidas que pudessem afastar o deputado do cargo. Segundo ele, a decisão tomada pelos parlamentares encontra abrigo na Constituição do Estado do Rio.

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