
Alexandre de Moraes vota em São Paulo e exibe celular após regra que ele ajudou a implementar
Ministro do STF votou no Jardim Paulistano, deixou o aparelho com a segurança e fez comentário sobre a proibição de celulares na cabine de votação
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou neste domingo, 4 de outubro, no Colégio Madre Alix, no Jardim Paulistano, zona oeste de São Paulo, durante o primeiro turno das eleições de 2026. O magistrado chegou ao local por volta das 15h30, acompanhado de sua equipe de segurança, e encontrou um movimento mais tranquilo do que o registrado durante a manhã.
O episódio que mais chamou atenção, entretanto, envolveu justamente o celular. Antes de entrar na cabine, Moraes mostrou o aparelho às câmeras e deixou claro que não levou o telefone para junto da urna. Segundo o relato do Poder360, o celular ficou sob responsabilidade de um segurança do ministro.
A cena ganhou repercussão porque ocorreu no mesmo dia em que o candidato à Presidência Romeu Zema foi registrado utilizando um celular dentro da cabine de votação, em Araxá, Minas Gerais. O caso de Zema foi encaminhado para apuração pela Justiça Eleitoral mineira.
“Eu que proibi”
Questionado sobre o aparelho, Moraes fez uma brincadeira ao lembrar que participou da implementação da regra que impede o eleitor de levar equipamentos eletrônicos para a cabine.
“Eu que proibi”, respondeu o ministro, segundo o registro feito durante a votação.
A referência diz respeito à regra adotada pela Justiça Eleitoral para preservar o sigilo do voto. O celular pode ser utilizado antes da votação para apresentação do e-Título ou de documento digital, mas precisa ser desligado e deixado no local indicado pelos mesários antes que o eleitor entre na cabine.
A norma vale para todos os eleitores e não apenas para candidatos ou autoridades. A Justiça Eleitoral afirma que a medida busca impedir que o voto seja fotografado, filmado, transmitido ou utilizado como comprovação da escolha do eleitor.
Em São Paulo, o TRE-SP reforçou às vésperas da eleição que celulares, câmeras, filmadoras, óculos inteligentes e outros equipamentos capazes de registrar o voto não podem ser levados para a cabine. Em caso de recusa do eleitor em deixar o aparelho com a mesa receptora, a votação pode ser impedida naquele momento e a ocorrência registrada em ata.
O celular apareceu, mas fora da cabine
É importante diferenciar duas situações. Moraes exibiu o celular fora da cabine, antes ou depois do procedimento de votação, e o aparelho não foi levado para junto da urna. O próprio registro do Poder360 informa que o telefone permaneceu com um integrante da segurança do ministro.
Portanto, o episódio envolvendo Moraes não é equivalente ao caso de um eleitor que entra na cabine com o aparelho.
A regra eleitoral é justamente impedir que qualquer dispositivo capaz de registrar a escolha seja levado para o espaço reservado à votação. O objetivo central é preservar o caráter secreto do voto.
Moraes aguardou na fila e conversou com mesários
O ministro chegou ao colégio eleitoral por volta das 15h30 e aguardou alguns minutos antes de votar. Segundo o UOL, ele cumprimentou eleitores e conversou informalmente com um dos mesários, inclusive sobre futebol e seu time, o Corinthians.
Depois da votação, Moraes também falou rapidamente com jornalistas e fez elogios à condução das eleições pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualmente presidido pelo ministro Kássio Nunes Marques.
Moraes afirmou que a Justiça Eleitoral brasileira seria um exemplo para o mundo e destacou a quantidade de brasileiros que participaram da votação no mesmo dia.
Episódio ocorre em uma eleição marcada por forte debate sobre o Judiciário
A presença de Moraes nas eleições de 2026 também ocorreu em um ambiente político no qual o papel do STF e da Justiça Eleitoral foi alvo de intenso debate entre diferentes grupos políticos.
Durante a campanha, candidatos e lideranças de direita fizeram críticas à atuação de ministros do Supremo e defenderam mudanças na relação entre os Poderes. Ao mesmo tempo, integrantes da Justiça Eleitoral sustentaram a necessidade de preservar as regras destinadas à segurança, ao sigilo e à integridade da votação.
O próprio Moraes esteve no centro de diversas discussões políticas nos últimos anos, especialmente por sua atuação no Tribunal Superior Eleitoral e em processos relacionados a ataques às instituições democráticas e às regras eleitorais.
Mais recentemente, seu nome também apareceu no contexto das investigações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Reportagens apontaram mensagens envolvendo Vorcaro e Moraes, além de contratos entre o banco e o escritório da esposa do ministro. Essas informações são objeto de controvérsia e investigação; a existência de mensagens ou contratos, por si só, não comprova irregularidade ou crime.
A ironia de uma regra que virou assunto eleitoral
O episódio envolvendo o celular acabou produzindo uma situação curiosa: justamente no dia em que um candidato presidencial foi flagrado com o aparelho dentro da cabine, Moraes apareceu diante das câmeras mostrando que havia deixado o telefone fora daquele espaço.
A diferença é objetiva: celular fora da cabine é permitido para determinadas etapas da identificação; celular dentro da cabine, durante a votação, é proibido.
A própria Justiça Eleitoral reforçou que a regra existe para impedir que o voto seja registrado e para proteger a liberdade de escolha do eleitor.
No caso de Moraes, o episódio acabou chamando atenção justamente pela associação entre o ministro e a regra que ele próprio lembrou ter ajudado a estabelecer.
Ao final, o magistrado deixou o local acompanhado por sua equipe de segurança. A votação transcorreu sem registro, nas fontes consultadas, de que Moraes tenha levado o telefone para a cabine ou violado o procedimento relativo ao sigilo do voto.