
André Mendonça reage à troca de delegado da PF em investigação que cita Lulinha
Ministro do STF avalia abrir procedimento para apurar mudança no comando do inquérito e aumenta preocupação com possível interferência política
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve abrir um procedimento interno para investigar a troca do delegado da Polícia Federal responsável pelo inquérito que apura supostas fraudes no INSS e que menciona Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo informações Mendonça considerou insuficientes as explicações apresentadas pela Polícia Federal sobre a substituição do delegado responsável pelo caso, realizada sem comunicação prévia ao gabinete do relator no STF.
A movimentação nos bastidores do Supremo aumentou a tensão política em torno da investigação, especialmente após parlamentares da oposição levantarem suspeitas de possível interferência política no andamento do inquérito.
Mudança no comando da investigação gera desconforto no STF
A alteração ocorreu após a Polícia Federal transferir o caso da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq), setor especializado em investigações que tramitam no STF.
Com a mudança, o delegado Guilherme Figueiredo Silva deixou a condução do inquérito. A PF afirmou, em nota, que a transferência buscou garantir “maior eficiência e continuidade” às investigações.
Mesmo assim, o ministro André Mendonça teria ficado incomodado com a ausência de comunicação formal sobre a troca e decidiu aprofundar a apuração das circunstâncias da mudança.
Preocupação com vazamentos e pressão política
De acordo com os relatos divulgados, Mendonça também pretende endurecer o controle sobre o compartilhamento de informações sigilosas da investigação. A ideia é restringir o acesso aos dados apenas a investigadores diretamente envolvidos no caso, numa estratégia para evitar vazamentos e possíveis pressões externas.
Nos bastidores do STF, a avaliação é de que o ministro deseja acompanhar mais de perto o trabalho da Polícia Federal em processos considerados sensíveis politicamente.
O magistrado teria tomado conhecimento da troca do delegado durante uma audiência com o advogado de um dos investigados. Após isso, reuniu-se com integrantes da força-tarefa para obter esclarecimentos e conhecer a nova equipe responsável pelo inquérito.
Caso envolvendo Lulinha aumenta tensão política em Brasília
O inquérito ganhou forte repercussão política porque envolve citações a Lulinha, filho mais velho do presidente Lula. A oposição no Congresso passou a pressionar a direção da Polícia Federal e defende a convocação do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, para explicar a substituição no comando da investigação.
A defesa de Lulinha também vinha reclamando de vazamentos de informações do processo, fator que teria contribuído para o aumento da tensão em torno do caso.
STF deve ampliar supervisão sobre investigações sensíveis
Segundo fontes ligadas ao Supremo, André Mendonça avalia adotar uma supervisão ainda mais rigorosa sobre o andamento do inquérito. O objetivo seria blindar a investigação contra interferências políticas e preservar o sigilo das diligências.
O caso reforça o clima de disputa institucional em Brasília envolvendo STF, Polícia Federal, governo federal e oposição, especialmente em investigações com forte impacto político às vésperas do avanço do calendário eleitoral de 2026.