
Novo Cangaço em Mato Grosso: prisão de chefe logístico expõe engrenagem do maior assalto do estado
Operação revela estrutura sofisticada de facção que espalhou terror em Confresa e atuava em vários estados
Uma grande ofensiva da Polícia Civil de Mato Grosso resultou na prisão de um dos principais responsáveis pela logística do maior assalto já registrado no estado. A captura ocorreu durante a terceira fase da Operação Pentágono, que investiga o ataque violento ocorrido em abril de 2023.
O crime, classificado como “Novo Cangaço”, não foi uma ação improvisada — ao contrário, revelou uma organização criminosa altamente estruturada, com planejamento detalhado e divisão estratégica de funções entre seus integrantes.
🔎 Como funcionava o esquema criminoso
As investigações apontam que o grupo contava com pelo menos 50 participantes, distribuídos em núcleos bem definidos:
- Comando e financiamento
- Planejamento e logística
- Execução direta
- Apoio em outros estados, como Pará e Tocantins
- Estrutura de fuga e veículos
O objetivo era claro: dominar cidades inteiras para facilitar grandes roubos, criando um cenário de caos e dificultando a reação das forças de segurança.
💣 O dia em que a cidade virou refém
Em 9 de abril de 2023, cerca de 20 criminosos fortemente armados sitiaram Confresa. A ação foi marcada por extrema violência:
- Invasão do quartel da Polícia Militar
- Policiais rendidos
- Incêndio de prédios públicos
- Destruição de veículos
- População mantida sob terror
Enquanto isso, outra frente da quadrilha tentava invadir a base da transportadora de valores Brinks, utilizando explosivos de alta potência. Apesar da operação ousada, o grupo não conseguiu acessar o cofre e acabou fugindo, abandonando parte do arsenal.
💰 Dinheiro sujo e conexão com outros crimes
Segundo a investigação, os recursos movimentados pela quadrilha tinham origem em outros crimes de grande porte, como roubos a bancos e transportadoras em diferentes regiões do país.
As autoridades também identificaram:
- Lavagem de dinheiro estruturada
- Uso de contas e empresas para ocultar valores
- Conexão com armas utilizadas em outros assaltos
A suspeita é de que o grupo operava como uma verdadeira “empresa do crime”, com atuação interestadual e alto poder financeiro.
🚔 Operação Pentágono: o cerco se fecha
A Operação Pentágono já havia avançado em fases anteriores:
- Primeira fase: prisões no Pará e Tocantins
- Segunda fase: 35 mandados em seis estados e apreensão de armas e munições
- Terceira fase: 97 ordens judiciais, incluindo prisões, buscas e bloqueio de contas
Além disso, 18 integrantes da quadrilha morreram em confrontos com forças de segurança durante a Operação Canguçu, realizada após o crime.
⚖️ Justiça avança contra o “Novo Cangaço”
De acordo com o delegado Gustavo Belão, a nova fase representa um marco no combate ao crime organizado:
“Não há fronteiras para a Justiça. Seja financiador ou executor, todos serão responsabilizados.”
A expectativa das autoridades é que, com o bloqueio de bens e novas provas, a estrutura financeira da organização seja definitivamente desmontada.
📊 Um modelo de crime que desafia o Estado
O chamado “Novo Cangaço” tem se consolidado como uma das formas mais perigosas de atuação criminosa no Brasil. Diferente de assaltos tradicionais, esse modelo aposta no domínio territorial temporário, usando violência extrema para paralisar cidades inteiras.
O caso de Confresa se tornou símbolo dessa escalada — e também um exemplo de como o trabalho investigativo pode, ainda que lentamente, desmontar engrenagens sofisticadas do crime organizado.