Após prisão de Maduro, Delcy Rodríguez escreve a Trump e propõe diálogo

Após prisão de Maduro, Delcy Rodríguez escreve a Trump e propõe diálogo

Presidente interina da Venezuela pede fim das hostilidades e sugere agenda de cooperação com os EUA

Um dia depois da captura de Nicolás Maduro por forças militares dos Estados Unidos, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, divulgou neste domingo (4) uma carta aberta ao presidente norte-americano Donald Trump, na qual defende diálogo, redução das tensões e a construção de uma agenda de colaboração entre os dois países.

No texto, Delcy — cuja liderança foi reconhecida pelo alto comando das Forças Armadas venezuelanas após a retirada forçada de Maduro — afirma que o país deseja viver sem ameaças externas e faz um apelo direto à Casa Branca para evitar uma escalada militar.

“Presidente Donald Trump: nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra”, escreveu a presidente interina.

A dirigente chavista propõe a abertura de uma agenda de cooperação bilateral, baseada no respeito à soberania e na não interferência em assuntos internos. Segundo ela, essa sempre foi a posição defendida por Maduro e continua sendo a orientação oficial da Venezuela neste momento de crise.

A carta foi publicada em meio a um clima de forte tensão diplomática. Maduro e a esposa foram levados aos Estados Unidos e devem comparecer ao Tribunal Distrital Federal de Manhattan nesta segunda-feira (5). O secretário de Estado americano, Marco Rubio, confirmou que a prisão foi realizada por agentes dos EUA para que o ex-presidente responda a acusações criminais no país.

Rubio também afirmou que Washington não pretende governar a Venezuela, mas deixou claro que poderá usar restrições ao setor petrolífero como forma de pressionar o novo governo em Caracas.

Horas antes da divulgação da carta, Trump havia elevado o tom contra a nova liderança venezuelana, ameaçando impor um “preço muito alto” caso o governo interino não cooperasse com as exigências americanas.

Na contramão desse discurso mais agressivo, a mensagem de Delcy busca abrir um canal diplomático e preservar a estabilidade interna do país. No texto, ela afirma sonhar com uma Venezuela forte, soberana e capaz de reunir seus cidadãos em torno de um projeto comum.

“A Venezuela reafirma sua vocação de paz e convivência pacífica. Temos direito à soberania, ao desenvolvimento e a um futuro sem ameaças”, conclui a presidente interina.

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