Paulinho da Força apresenta relatório do PL da Dosimetria para reduzir penas de manifestações políticas

Paulinho da Força apresenta relatório do PL da Dosimetria para reduzir penas de manifestações políticas

Projeto prevê ajustes nas punições de condenados pelo 8 de janeiro e beneficia participantes sem papel de comando; anistia plena é descartada, segundo relator.

O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do PL da Dosimetria, divulgou nesta terça-feira (9/12) o relatório final do projeto que propõe redução de penas para condenados por manifestações políticas ocorridas entre 30 de outubro de 2022 e a data em que a lei entrar em vigor. O texto, que impacta diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), será submetido à votação no plenário da Câmara.

Segundo Paulinho, o objetivo da proposta é refinar a aplicação das penas, definindo com precisão quem será atingido e como os cálculos serão feitos, sem criar rupturas legislativas ou medidas arbitrárias. O relator enfatiza que crimes graves, como homicídios, estupros e roubos, não serão afetados pelo projeto.

O texto também determina que, para quem cometeu mais de um crime contra instituições democráticas, prevalecerá a pena mais grave. Bolsonaro, por exemplo, foi condenado a 27 anos e 3 meses pelo STF por cinco crimes, incluindo golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito.

Além disso, o projeto prevê que o cumprimento da pena em regime domiciliar não impede a remição da pena por trabalho, estudo ou leitura, beneficiando aqueles que ficaram presos em casa. Paulinho destaca que a dosimetria será aplicada caso a caso pelo Judiciário, oferecendo tratamento mais brando a participantes sem poder de comando ou financiamento dos atos extremistas.

Para os condenados pelos episódios de 8 de janeiro, o projeto altera a Lei de Execuções Penais e o Código Penal, permitindo progressão de regime após cumprimento de 1/6 da pena, sem impactar crimes de maior gravidade, como hediondos, feminicídios e delitos contra o patrimônio. Quando o crime ocorrer em contexto de multidão, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a discussão sobre anistia está superada e que o PL da Dosimetria não trata de perdão integral, mas apenas de ajustes nas penas. Motta destacou que a votação é fruto da decisão da própria Casa, respeitando o devido processo legal conduzido pelo STF.

Segundo ele, a medida busca concluir o debate sobre o tema e oferecer clareza sobre a aplicação das penas, encerrando meses de discussões sobre a anistia e definindo a posição final da Câmara para o fim do ano.

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