
Ataque dos EUA fere gravemente programa nuclear do Irã, mas não o elimina por completo
Com bombas de precisão e operação secreta, forças americanas atingiram três usinas iranianas. Apesar dos estragos, autoridades admitem que o plano atômico de Teerã ainda resiste.
WASHINGTON – Autoridades militares dos Estados Unidos e membros do governo do ex-presidente Donald Trump detalharam neste domingo, 22, a ofensiva contra instalações nucleares do Irã, realizada na véspera. O ataque mirou os complexos de Isfahan, Natanz e Fordow. Segundo os americanos, o impacto foi significativo, mas não o suficiente para desmantelar completamente o programa nuclear iraniano.
O Pentágono informou que foram usadas bombas do tipo “bunker-buster” — armamentos capazes de penetrar estruturas subterrâneas — com 14 toneladas de explosivos e lançadas a velocidades supersônicas. Embora tenham provocado estragos consideráveis, o estrago ainda não pode ser considerado total.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, afirmou que a destruição dos centros nucleares foi parcial e que uma avaliação mais precisa sobre os danos deve levar algum tempo. A operação foi batizada de Martelo da Meia-Noite.
Em entrevista à rede NBC, o vice-presidente JD Vance reconheceu que, embora o ataque tenha conseguido atrasar significativamente o avanço do programa nuclear iraniano, ele não foi completamente desativado. “Não posso entrar em detalhes confidenciais, mas vimos muitas evidências de que conseguimos interromper o desenvolvimento de uma arma nuclear por parte deles. E esse era o objetivo”, disse.
Essa avaliação, no entanto, contrasta com o tom mais enfático adotado por Donald Trump, que declarou que o programa havia sido “aniquilado”. Já o secretário de Defesa, Pete Hegseth, demonstrou alinhamento com a visão de Trump ao comentar o episódio durante a coletiva de imprensa.
As autoridades deixaram claro que a ação teve um foco exclusivo: enfraquecer o programa nuclear iraniano. Não se trata, segundo eles, de uma tentativa de derrubar o governo de Teerã ou iniciar uma guerra.
“Não estamos em guerra com o Irã. Estamos em guerra com o programa nuclear do Irã”, frisou Vance, tentando acalmar os ânimos dentro da base conservadora que teme uma nova intervenção militar americana no Oriente Médio.
Como foi a operação
Nomeada Operação Martelo da Meia-Noite, a ofensiva contou com 75 munições guiadas de alta precisão, incluindo 14 bombas capazes de perfurar bunkers. A operação foi mantida em sigilo absoluto, com pouquíssimas autoridades informadas de antemão. Além disso, os militares usaram táticas de distração para confundir os sistemas de defesa iranianos.
A ofensiva envolveu bombardeiros B-2 Stealth decolando dos EUA, enquanto outras aeronaves partiram de bases no Pacífico para despistar os radares do Irã. Submarinos americanos também participaram, lançando mísseis Tomahawk a partir do Golfo Pérsico.
Apesar do grande poder de fogo, o resultado final ainda depende de análises técnicas detalhadas — e, por ora, o que se sabe é que o programa nuclear iraniano foi ferido, mas não morto.