
Ato do 8 de Janeiro vira palco político e alvo de críticas
Com discurso de “defesa da democracia”, Lula é acusado de usar cerimônia como cortina de fumaça para crises do governo
Brasília amanheceu nesta quinta-feira (8/1) com a Praça dos Três Poderes ocupada por militantes, movimentos sociais e apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Palácio do Planalto, o governo promoveu uma cerimônia oficial para marcar os três anos dos atos de 8 de janeiro de 2023. O discurso público é o da “defesa da democracia”. Nos bastidores — e nas redes —, porém, o tom é outro: repúdio, ironia e desconfiança.
Para críticos do governo, o evento tem menos a ver com memória institucional e mais com estratégia política. A avaliação é que Lula transforma a data em um grande ato eleitoral antecipado, numa tentativa de desviar o foco de uma sequência de crises, denúncias e desgastes que atingem diretamente sua gestão.
Entre as críticas levantadas por opositores estão escândalos envolvendo aposentadorias, questionamentos sobre o Banco Master, estatais acumulando prejuízos históricos, os Correios à beira do colapso financeiro e o crescimento acelerado da dívida pública, que levou o Brasil a registrar o maior endividamento de sua história em proporção ao PIB. Tudo isso enquanto o governo insiste em discursos otimistas que pouco dialogam com a realidade econômica.
Há ainda acusações políticas que ampliam o desgaste: o envolvimento de familiares do presidente em investigações relacionadas ao INSS, menções a benefícios indevidos, questionamentos sobre relações pessoais e empresariais e críticas a contratos milionários que, segundo opositores, revelariam conflitos de interesse no alto escalão do poder. Mesmo sem decisões judiciais definitivas em muitos desses casos, o acúmulo de suspeitas alimenta a narrativa de crise ética.
Nesse contexto, o ato no Planalto é visto por adversários como uma encenação cuidadosamente produzida. Telões do lado de fora, militância organizada, discursos ensaiados e a expectativa de anúncios políticos — como o veto ao projeto da dosimetria das penas — reforçam a leitura de que o governo tenta usar o simbolismo do 8 de janeiro para blindar-se das cobranças atuais.
A cerimônia, restrita a autoridades e convidados no Salão Nobre, atrasou e seguiu um roteiro previsível. Do lado de fora, partidos e frentes alinhadas ao governo mobilizaram apoiadores, enquanto o presidente, ao final, prometeu descer a rampa do Planalto em mais um gesto calculado para imagens e manchetes.
Para críticos, a ironia é evidente: em nome da democracia, promove-se um ato que ignora questionamentos legítimos sobre corrupção, gestão pública e responsabilidade fiscal. Na visão dos opositores, o governo fala de passado para não responder pelo presente — e usa a memória do 8 de janeiro como cortina de fumaça para esconder os escândalos que hoje batem à porta do próprio Planalto.