
Barroso reconhece frase infeliz sobre “derrotar o bolsonarismo”
Presidente do STF diz que arrependimento foi pedir desculpas por generalizar e confundir Supremo com a sociedade
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, admitiu nesta segunda-feira, durante participação no programa Roda Viva da TV Cultura, que uma frase sua pouco após as eleições de 2022 — sobre “derrotar o bolsonarismo” — foi infeliz.
Barroso explicou que a declaração surgiu em um momento de gritaria e confusão durante um congresso na UNE, onde subiu ao palco para falar sobre plataformas digitais. “Comecei a gritar para ser ouvido e acabei dizendo: ‘Nós derrotamos a ditadura, a tortura, a censura… e o bolsonarismo’. Foi uma frase infeliz. Primeiro, porque parecia que o Supremo tinha derrotado algo, quando na verdade queria falar da sociedade brasileira. Segundo, porque nunca fulanizei o debate”, disse.
O ministro destacou que a frase acabou sendo um desrespeito para milhões de brasileiros que votaram em Bolsonaro. A solução, segundo ele, foi pedir desculpas, a atitude mais simples e correta diante do erro.
Contexto e críticas
Na ocasião, a plateia protestava contra Barroso, exibindo uma faixa chamando-o de “inimigo da enfermagem” e de “articulador do golpe de 2016”. Apesar da confusão, o presidente do STF defendeu o direito à manifestação e criticou a ditadura. O ministro da Justiça, Flávio Dino, também estava presente no palco.
Barroso lembrou ainda episódios de críticas pessoais, como quando respondeu a uma apoiadora de Bolsonaro na rua, após a eleição de Lula, com a expressão “perdeu, mané”.
Sobre a anistia e redução de penas
O ministro também comentou sobre a possibilidade de redução de penas dos condenados pelos atos do dia 8 de janeiro. Barroso reforçou que a decisão é competência do Congresso Nacional, cabendo ao STF apenas analisar a constitucionalidade. Ele ressaltou que reduzir penas por tecnicalidade não é o mesmo que conceder anistia.
Segundo Barroso, o direito penal não é feito para vingança, e casos de golpe de Estado e de violação do Estado Democrático de Direito deveriam ter penas absorvíveis entre si, uma posição que ele defendeu no julgamento, embora tenha sido vencido pela maioria da Corte.
“A anistia antes do julgamento era inaceitável. Após o julgamento, é decisão política do Congresso, que ainda estará sujeita a controle do Supremo, como tudo na vida”, concluiu o ministro.