
Berrante seletivo: trompetista do PT ironiza manifestantes, mas silencia diante de escândalos reais
Enquanto provoca marcha de Nikolas Ferreira, músico ignora fraudes, rombos e estatais no vermelho
O trompetista Fabiano Leitão, conhecido nas redes como “TromPetista” por sua militância declarada no PT, voltou a chamar atenção — não pela música, mas pela provocação política. Desta vez, ele apareceu à beira da BR-040 tocando um berrante para manifestantes que marchavam rumo a Brasília em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. No vídeo, publicou a legenda: “Cuidado! Tem gado solto na pista”.
A cena foi registrada nesta sexta-feira (23) e rapidamente viralizou. Depois do berrante, o músico ainda emendou a cantiga infantil “Marcha Soldado”, numa ironia direcionada à prisão de Bolsonaro, atualmente custodiado na Papudinha, em Brasília. Entre uma nota e outra, fez o gesto de “L” com a mão e gritou o nome do presidente Lula, deixando clara a intenção política do ato.
Muito barulho para uns, silêncio para outros
O que chama atenção — e causa indignação — não é apenas a provocação em si, mas a seletividade do repertório. O trompetista não apareceu quando vieram à tona denúncias de roubo e irregularidades no INSS. Não tocou uma nota sequer sobre a fraude envolvendo o Banco Master. Também não se ouviu seu berrante quando os Correios afundaram em prejuízos bilionários, nem quando estatais passaram a fechar no vermelho.
Tampouco houve performance musical diante do Brasil entrando em um ciclo de endividamento histórico, com contas públicas pressionadas e estatais acumulando rombos. Nessas horas, o instrumento fica guardado. A ironia só sai do estojo quando o alvo é político — e convenientemente adversário.
Provocação virou marca registrada
Não é a primeira vez que Fabiano usa a música como arma política. Em março do ano passado, ganhou notoriedade ao tocar a Marcha Fúnebre durante uma coletiva de imprensa de Bolsonaro, no dia em que o ex-presidente virou réu no STF por tentativa de golpe. Também repetiu a encenação em frente à Polícia Federal, quando Bolsonaro ainda estava detido antes de ser transferido para a Papuda.
Natural de Brasília, o trompetista chegou a disputar uma vaga de deputado distrital em 2022, ficando como suplente. Nas redes sociais, soma mais de 120 mil seguidores e costuma usar performances musicais como forma de militância.
Marcha segue, barulho continua
A caminhada liderada pelo deputado Nikolas Ferreira começou tímida, mas ganhou adesão ao longo da semana e passou a mobilizar apoiadores, inclusive parlamentares. A Polícia Rodoviária Federal acompanha o trajeto de forma preventiva, enquanto o STF determinou restrições a manifestações nas proximidades do presídio onde Bolsonaro está preso.
No meio desse cenário, o berrante do trompetista ecoa mais como deboche do que como crítica consistente. Afinal, indignação seletiva não é protesto — é performance. E, nesse palco político, há quem toque alto para provocar adversários, mas faça silêncio absoluto quando os problemas do país pedem, no mínimo, uma nota de alerta.