
Moraes fecha a porta e alimenta acusações de perseguição política contra Bolsonaro
Ministro do STF ignora pedidos da CGU e mantém controle absoluto sobre investigações que miram a direita
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, voltou a ser alvo de críticas ao impedir o envio de informações solicitadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) sobre investigações que envolveram o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os pedidos partiram do ministro Vinícius de Carvalho, chefe da CGU, que buscava acesso a dados e documentos relacionados aos casos das joias da Arábia Saudita e do suposto cartão de vacinação adulterado.
Apesar das solicitações formais, Moraes simplesmente não respondeu às manifestações nos autos. O silêncio do ministro reforça a percepção de que decisões envolvendo Bolsonaro seguem um roteiro diferente — mais fechado, mais centralizado e, para muitos, claramente direcionado.
Arquiva, segura, controla
No caso do cartão de vacinação, Moraes já havia determinado o arquivamento do inquérito em março de 2025, encerrando a investigação sem denúncia. Mesmo assim, manteve sob seu controle absoluto as informações do processo, bloqueando o acesso solicitado pela CGU. Já no episódio das joias sauditas, a Procuradoria-Geral da República ainda não apresentou uma posição definitiva, podendo optar pelo arquivamento ou pela denúncia dos envolvidos.
O problema, apontam críticos, não está apenas no mérito das decisões, mas na forma como o ministro concentra poderes, decide sozinho o ritmo dos processos e escolhe quando — e se — outros órgãos do Estado terão acesso às informações.
Perseguição implacável ou zelo seletivo?
Para aliados de Bolsonaro e setores da direita, a postura de Moraes reforça a sensação de uma perseguição contínua, implacável e direcionada. Enquanto investigações envolvendo figuras da esquerda caminham lentamente ou desaparecem do noticiário, qualquer assunto ligado ao ex-presidente permanece sob vigilância máxima, mesmo quando já arquivado.
A recusa em compartilhar dados com a CGU, um órgão de controle do próprio governo federal, levanta questionamentos incômodos: o que justifica esse bloqueio? O que se perde ao permitir transparência? E por que, quando o nome é Bolsonaro, tudo parece seguir regras próprias?
Um STF cada vez mais político
A atuação de Moraes tem alimentado críticas de que o Supremo deixou de ser apenas um tribunal constitucional para se tornar um ator político ativo, especialmente no enfrentamento à direita. Decisões duras, linguagem beligerante e concentração de poder transformaram o ministro em símbolo de um Judiciário que, para muitos, já não disfarça sua parcialidade.
Em vez de dissipar dúvidas, o silêncio diante da CGU só amplia desconfianças. Em um país que cobra transparência e equilíbrio institucional, travar informações e agir como guardião exclusivo da verdade não fortalece a democracia — enfraquece a confiança nela.