Bolsonaro pede autorização a Alexandre de Moraes para professor dar aulas de matemática e química à filha em casa

Bolsonaro pede autorização a Alexandre de Moraes para professor dar aulas de matemática e química à filha em casa

Defesa do ex-presidente solicitou que professor particular entre uma vez por semana na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar; pedido foi feito para atender às necessidades escolares de Laura Bolsonaro, de 16 anos

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para que um professor particular entre na residência onde o político cumpre prisão domiciliar para ministrar aulas de matemática e química à filha caçula, Laura Bolsonaro, de 16 anos.

O pedido foi protocolado na segunda-feira (24) e inicialmente solicitava que o profissional pudesse começar as atividades já nesta terça-feira (25). Segundo a defesa, as aulas deverão ocorrer uma vez por semana, com duração de pelo menos duas horas.

A solicitação ocorre dentro das regras de fiscalização impostas a Bolsonaro durante o cumprimento da prisão domiciliar. Por isso, os advogados não pediram apenas autorização para a atividade educacional, mas também para o ingresso do professor na residência, submetendo o profissional às condições de segurança e às demais restrições determinadas pela Justiça.

Pedido envolve atividade exclusivamente educacional

Na petição, a defesa argumentou que a presença do professor tem finalidade estritamente escolar. Os advogados afirmaram que se trata de uma atividade destinada ao acompanhamento educacional de Laura e solicitaram que o ingresso ocorra respeitando as regras de fiscalização já estabelecidas por Moraes.

O professor indicado é Víctor de Souza Bonfim, que recebeu posteriormente autorização para entrar na residência. A decisão de Moraes permitiu, excepcionalmente, a realização da primeira aula nesta terça-feira (25), das 14h30 às 16h30. Para as aulas seguintes, a defesa deverá informar previamente os respectivos cronogramas ao Supremo para nova apreciação.

A decisão estabelece, portanto, que o atendimento escolar poderá ocorrer, mas dentro de um procedimento controlado, compatível com as restrições impostas ao ex-presidente.

Moraes autoriza entrada do professor

O pedido inicialmente apresentado pela defesa foi analisado por Alexandre de Moraes, relator da execução penal relacionada à condenação de Bolsonaro.

O ministro autorizou a entrada do professor particular na residência para atender Laura. A autorização foi acompanhada de procedimentos de segurança e da exigência de que futuros horários sejam comunicados para avaliação.

A decisão ocorre em um momento em que Bolsonaro permanece submetido a uma série de restrições relacionadas às visitas e à circulação de pessoas na residência.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar

Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar desde março, por determinação de Alexandre de Moraes. Atualmente, o ex-presidente cumpre uma pena de 27 anos e três meses de prisão, decorrente da condenação relacionada à trama golpista, segundo as reportagens que noticiaram o pedido.

A prisão domiciliar estabelece regras específicas para o contato do ex-presidente com pessoas que não integram o grupo autorizado a permanecer ou entrar no imóvel.

Nesse contexto, qualquer pessoa que precise ingressar na residência depende de autorização judicial quando não estiver abrangida pelas permissões já existentes.

Filhos de Bolsonaro têm situações diferentes

O pedido para o professor ocorre poucos dias depois de Moraes ter autorizado a visita de Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro ao pai.

Os dois filhos receberam autorização na sexta-feira (21), depois de Bolsonaro permanecer submetido a uma restrição de visitas. Já Flávio Bolsonaro, senador e candidato à Presidência da República pelo PL, continua impedido de visitar o pai por uma determinação que estabelece restrição de 90 dias.

A situação de Flávio é particularmente relevante no contexto político porque ele foi escolhido para substituir Jair Bolsonaro na corrida presidencial de 2026. Segundo a reportagem da Gazeta do Povo, a restrição ocorreu após a divulgação de um vídeo no qual Flávio leu uma carta em que o ex-presidente confirmou sua escolha para a disputa eleitoral.

Laura permanece na residência

Laura Bolsonaro, de 16 anos, vive na residência com o pai. A casa também é compartilhada com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e uma sobrinha de Bolsonaro, segundo as informações divulgadas pelo Metrópoles.

O pedido da defesa foi apresentado justamente para permitir que Laura mantenha acompanhamento específico nas disciplinas de matemática e química sem que o professor precise apenas ministrar as aulas fora da residência.

A autorização concedida por Moraes cria uma exceção de caráter educacional dentro do regime de controle estabelecido para a prisão domiciliar.

Michelle Bolsonaro também aparece no contexto das autorizações

Michelle Bolsonaro integra o grupo familiar que permanece próximo do ex-presidente. Recentemente, uma situação envolvendo a saúde da ex-primeira-dama também levou a uma autorização excepcional de entrada na residência.

Segundo a Gazeta do Povo, quando Michelle precisou realizar exames por causa de uma enxaqueca persistente, sua meia-irmã, Geovanna Kathleen Ferreira Lima, foi autorizada a entrar no imóvel e atuar como cuidadora de Bolsonaro e Laura.

O episódio demonstra como as autorizações concedidas por Moraes têm sido avaliadas caso a caso, considerando as necessidades específicas de Bolsonaro e de sua família.

Decisão ocorre em meio a restrições judiciais

O caso do professor evidencia uma particularidade do regime de prisão domiciliar: mesmo uma atividade cotidiana, como a contratação de um profissional para acompanhar a educação de uma adolescente, precisa ser submetida à análise judicial quando envolve a entrada de terceiros na residência.

A defesa de Bolsonaro reconheceu expressamente a existência das regras de fiscalização e pediu que a autorização para as aulas fosse concedida dentro das condições já estabelecidas.

Com a decisão, Víctor de Souza Bonfim está autorizado a ministrar as aulas a Laura, inicialmente em um período de duas horas. Para os próximos encontros, os horários deverão ser informados previamente ao Supremo.

O episódio acrescenta mais um capítulo à relação entre a rotina familiar de Jair Bolsonaro e as restrições impostas durante sua prisão domiciliar. Desta vez, a questão chegou ao STF não por uma demanda política ou relacionada a visitas, mas por uma necessidade estritamente educacional envolvendo a filha de 16 anos do ex-presidente.

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