Brasil na mira da OTAN? Só se for na base da piada pronta

Brasil na mira da OTAN? Só se for na base da piada pronta

Chanceler reage a ameaça de sanções com ironia e diz o óbvio: “Organização militar não manda no nosso comércio”

Em mais um episódio da série “internacionalizando o absurdo”, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) resolveu dar pitaco em quem o Brasil pode ou não fazer negócios. O secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, afirmou que países como Brasil, China e Índia – todos membros do BRICS – poderiam sofrer sanções por manter relações comerciais com a Rússia.

A resposta veio rápido, e com um toque de sarcasmo. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, chamou a ameaça de “totalmente descabida” e deixou claro que o Brasil não pretende nem perder tempo em conversar com a OTAN. E com razão: desde quando uma organização militar tem autoridade pra dizer com quem o Brasil compra ou vende o que quiser?

“Nós não fazemos parte da OTAN. É uma aliança militar, não comercial. Ele [Rutte] está fora da sua alçada”, disse Mauro Vieira, com aquela elegância que só a diplomacia é capaz de disfarçar em tom de deboche.

A crítica do chanceler vai além da irritação. Segundo ele, talvez o chefe da OTAN esteja apenas “mal-informado” — ou fingindo que não sabe que vários países da própria aliança continuam comprando petróleo e gás russo, todo mês, sem sanção nenhuma. Mas o problema é o Brasil, né?

Nos bastidores, diplomatas brasileiros até consideraram ignorar o comentário de Rutte, por considerarem que a OTAN não tem nenhuma autoridade para ditar as relações comerciais do Brasil. Até porque, segundo a tradição da política externa brasileira, só sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU são consideradas válidas. E a OTAN, convenhamos, não é a ONU.

Como se não bastasse a OTAN querendo brincar de polícia do mundo, Donald Trump, de volta à velha forma, decidiu meter uma tarifa de 50% nos produtos brasileiros vendidos nos EUA. A justificativa? Uma suposta balança comercial desfavorável — o que é simplesmente mentira: os dados oficiais mostram que os EUA vendem muito mais pro Brasil do que compram.

Questionado se essa ameaça da OTAN teria dedo americano, Mauro Vieira jogou a real:

“A declaração é tão fora da casinha que deve ter sido voluntária mesmo. Não tem cabimento”.

A cereja do bolo ficou por conta de um comentário nos corredores da diplomacia: diplomatas andam ironizando o fato de Rutte ter chamado Trump de “papai”. E se é esse o nível da seriedade da OTAN, o Brasil tem mais é que rir mesmo.

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