
Lula admite falar com Trump, mas só sobre negócios: “Justiça não entra na conversa”
Presidente brasileiro condiciona diálogo com americano ao comércio, enquanto governo tenta reverter tarifaço com apoio de empresários e senadores
Em meio à tensão crescente com os Estados Unidos após o anúncio do tarifaço, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que aceitaria conversar diretamente com Donald Trump — mas com uma condição: o papo tem que ficar estritamente no campo comercial. Nada de discutir temas ligados à Justiça ou às decisões da Suprema Corte, especialmente após os episódios envolvendo sanções e vistos.
Fontes do Palácio do Planalto revelaram que o governo brasileiro vem tentando, sem sucesso, abrir um canal de negociação com os americanos. A resposta, até agora, tem sido o silêncio. Como alternativa, senadores governistas e da oposição se preparam para ir aos EUA buscar diálogo com aliados do ex-presidente Trump. O chanceler Mauro Vieira já se reuniu com os parlamentares que compõem essa missão diplomática.
“Vamos conversar com empresários de ambos os países e também com congressistas americanos”, afirmou o senador Nelsinho Trad, envolvido nas tratativas.
No entanto, há entraves internos: Eduardo Bolsonaro, deputado federal licenciado que está nos Estados Unidos, estaria se movimentando para esvaziar a agenda dos senadores brasileiros, minando o esforço de aproximação institucional.
Enquanto isso, a pressão por medidas mais duras cresce dentro do governo. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro da Indústria, esteve reunido com o setor farmacêutico e cogita uma resposta ousada: quebrar patentes de medicamentos norte-americanos e produzi-los no Brasil.
Do lado da diplomacia tradicional, o ex-presidente Michel Temer se manifestou em tom conciliador. Ele criticou a tarifa imposta e considerou inaceitável a retaliação contra ministros do STF, mas defendeu o bom senso: “Essas tensões não se resolvem com bravatas, mas com diálogo entre nações parceiras”, disse.
E como parte da ofensiva diplomática econômica, um grupo de empresários brasileiros deve enviar, ainda nesta semana, uma carta ao secretário de Comércio dos EUA anunciando um investimento de R$ 7 bilhões no país norte-americano — uma tentativa de mostrar que o Brasil não está fechado ao diálogo, desde que o bom senso também venha do outro lado.