Após proposta de Trump, Lula reforça pressão por mudança na ONU

Após proposta de Trump, Lula reforça pressão por mudança na ONU

Ideia de um Conselho de Paz reacende defesa brasileira por reforma no Conselho de Segurança

A proposta apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a criação de um Conselho de Paz internacional acabou dando novo fôlego a uma bandeira antiga do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a reforma do Conselho de Segurança da ONU. O tema, que acompanha a política externa brasileira desde os primeiros mandatos de Lula, voltou ao centro do discurso presidencial diante do redesenho sugerido por Washington para lidar com conflitos globais.

Desde 2023, com a escalada de guerras e crises internacionais, Lula passou a insistir com mais força na necessidade de atualizar a estrutura do órgão mais poderoso das Nações Unidas. Para o presidente, o atual formato não reflete a diversidade geopolítica do mundo e concentra decisões nas mãos de poucos países.

Conselho de Paz amplia o debate

A ideia do novo Conselho de Paz, inicialmente associada à transição política na Faixa de Gaza, acabou sendo apresentada de forma mais ampla. O texto da proposta fala em promover estabilidade, restaurar a governança e garantir paz duradoura em regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos — sem citar diretamente o Oriente Médio.

Em conversa telefônica com Trump, realizada na segunda-feira (26), Lula sugeriu dois ajustes centrais: que o conselho tenha atuação limitada à questão de Gaza e que a Palestina tenha assento formal no grupo. Embora dezenas de líderes tenham sido convidados a integrar o organismo, a ausência palestina chamou a atenção do governo brasileiro.

Reforma do Conselho de Segurança volta à mesa

Durante o diálogo, Lula também voltou a defender mudanças no Conselho de Segurança da ONU, atualmente formado por cinco membros permanentes com poder de veto — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — além de dez integrantes temporários com mandatos de dois anos.

A posição brasileira é clara: ampliar o número de membros permanentes para incluir regiões historicamente sub-representadas, como América do Sul e África, tornando o órgão mais legítimo e alinhado à realidade global.

Limites políticos seguem como obstáculo

Para especialistas, o movimento de Lula ajuda a manter o debate vivo, mas enfrenta barreiras difíceis de transpor. Segundo o analista Vito Villar, da BMJ Consultoria, qualquer mudança estrutural profunda esbarra justamente no poder de veto dos atuais membros permanentes.

Na avaliação dele, a criação de novos fóruns pode sinalizar insatisfação com o modelo atual, mas dificilmente resultará, sozinha, em uma reforma ampla da ONU sem o aval das grandes potências.

Discurso recorrente nos palcos internacionais

Desde o início do terceiro mandato, Lula tem usado a tribuna da Assembleia-Geral da ONU para reforçar essa pauta. Em 2023, afirmou que o Conselho de Segurança vinha perdendo credibilidade. Em 2024, defendeu a revisão da Carta da ONU. Já em 2025, alertou que o multilateralismo atravessava uma encruzilhada histórica.

A defesa da reforma também tem sido repetida em conversas com líderes como Vladimir Putin, Narendra Modi, Xi Jinping e o presidente do Panamá, José Raúl Mulino. Em todos os diálogos, Lula insiste na ideia de fortalecer a ONU como instrumento central para a paz, o diálogo e a estabilidade internacional.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias