
“‘Cadê meus vira-latas?’: o desprezo da primeira-dama diante de uma ameaça real ao Brasil”
Enquanto Trump anuncia novas tarifas contra produtos brasileiros, Janja escolhe zombar e agravar tensões com uma frase que escancara o deboche no poder
Num momento que exigia seriedade, o governo brasileiro optou por ironia. Durante uma pergunta feita a Lula sobre as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pretende sobretaxar produtos brasileiros, quem respondeu — ou melhor, reagiu — foi Janja, a primeira-dama. “Cadê meus vira-latas?”, disse ela, com tom de desdém, diante dos jornalistas.
A frase, que causou espanto imediato, foi registrada em vídeo na saída de um evento oficial no Itamaraty, em Brasília, após o almoço com o presidente da Indonésia. Não era hora para piadas, mas Janja achou graça.
A reação da primeira-dama causou indignação. Afinal, o país enfrenta uma ameaça comercial direta de uma das maiores potências do mundo, e a resposta do Palácio não veio em forma de diplomacia ou estratégia — veio em forma de deboche. Questionado sobre as falas de Trump, Lula preferiu o silêncio. E Janja, que sequer tem cargo público formal, assumiu a frente com ironia.
Pressionada, a assessoria da primeira-dama emitiu uma nota tentando apagar o incêndio. Segundo o comunicado, a expressão não foi direcionada aos jornalistas, mas aos bolsonaristas, acusados de “trair a soberania nacional”. O ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, repetiu a mesma justificativa, como se isso aliviasse o peso da frase dita em um momento delicado para o país.
Mas o estrago já estava feito. Independentemente de a provocação ser contra a imprensa ou a oposição, o tom é o mesmo: intolerância e desprezo pelas instituições democráticas — inclusive pelo direito de perguntar, criticar ou cobrar.
Enquanto isso, do outro lado do mundo, Trump prepara um pacote de tarifas que pode prejudicar duramente a economia brasileira. O republicano declarou abertamente que vai sobretaxar países que “se alinhem a políticas antiamericanas do Brics”, mirando diretamente o Brasil. A alíquota extra pode chegar a 10% sobre todos os produtos brasileiros — e, segundo ele, “não haverá exceções”.
Diante dessa ameaça, esperava-se do governo brasileiro postura firme, coordenação diplomática, posicionamento estratégico. Mas o que se viu foi um espetáculo de vaidade e arrogância, com Janja atuando como porta-voz informal de um governo que prefere atacar adversários do que enfrentar problemas reais.
Se a resposta a uma crise internacional é um gracejo, estamos diante de um governo que banaliza até mesmo o que deveria unir o país: a defesa dos nossos interesses no cenário global.
E, se há “vira-latas” nesse enredo, talvez sejam aqueles que, no lugar de latir contra as injustiças, abanam o rabo para o poder — desde que ele seja do seu lado.