Caiado pede a Moraes autorização para visitar Bolsonaro em prisão domiciliar

Caiado pede a Moraes autorização para visitar Bolsonaro em prisão domiciliar

De olho em 2026, governador de Goiás busca aproximação com o ex-presidente e tenta herdar parte de sua base eleitoral enquanto enfrenta resistência dentro do próprio partido.

Em meio à corrida pelo espólio político deixado por Jair Bolsonaro, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para visitar o ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar há três meses.

No pedido, Caiado afirma que a visita tem “caráter humanitário e político-institucional”, destacando a importância de manter “canais de diálogo respeitosos entre lideranças políticas”. O governador, que cumpre seu segundo mandato, é pré-candidato à Presidência da República em 2026.

Segundo ele, o encontro não tem a intenção de interferir nas condições impostas pela Justiça. A solicitação sugere três possíveis datas: 10, 12 ou 13 de novembro.

🧭 Disputa por espaço na direita

Mesmo com a pré-candidatura lançada, Caiado enfrenta resistência dentro da federação formada por União Brasil e PP. Um dos principais obstáculos é o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, que recentemente também visitou o ex-presidente.

Em entrevista à Veja, Caiado acusou Ciro de usar a federação partidária para tentar ser vice-presidente em uma chapa encabeçada por Tarcísio de Freitas (Republicanos) ou Ratinho Jr. (PSD).

“Como o candidato a vice vai definir quem será o presidente? Isso não existe na política”, criticou Caiado, em tom de irritação.

Dias antes, o próprio Ciro havia citado Tarcísio e Ratinho como os nomes mais competitivos contra Lula (PT) em 2026 — sem mencionar Caiado.

A troca de farpas acabou ecoando no bolsonarismo: Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ironizou as pretensões de Ciro, que respondeu dizendo não ter ambições eleitorais. “Nunca quis ser nada além do que sou. O que me interessa é o Brasil”, rebateu o ex-ministro.

Entre gestos políticos e disputas por heranças, Caiado tenta equilibrar pragmatismo e ambição. Sua visita a Bolsonaro, se aprovada, será mais do que um encontro cordial — será um movimento estratégico na luta por quem herdará o trono simbólico da direita em 2026.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags