Câmara dos Deputados reembolsa mais de R$ 670 em bebidas alcoólicas para deputada do PT durante viagem a Nova York

Câmara dos Deputados reembolsa mais de R$ 670 em bebidas alcoólicas para deputada do PT durante viagem a Nova York

Carol Dartora (PT-PR) teve despesas com três taças de espumante e uma cerveja artesanal ressarcidas com dinheiro público. O procedimento contraria as regras da Câmara, que proíbem o pagamento de bebidas alcoólicas com recursos da cota parlamentar. Após a repercussão, a assessoria alegou erro na conferência das notas fiscais e prometeu devolver os valores.

Uma nova controvérsia envolvendo o uso de dinheiro público por integrantes do Congresso Nacional ganhou repercussão neste domingo (1º de novembro de 2026). A Câmara dos Deputados reembolsou despesas com bebidas alcoólicas da deputada federal Carol Dartora, do Partido dos Trabalhadores (PT) do Paraná, durante uma viagem oficial a Nova York, nos Estados Unidos.

Os gastos foram realizados em março de 2026, quando a parlamentar esteve na cidade norte-americana para participar da 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, realizada na sede da Organização das Nações Unidas (ONU).

O episódio chama a atenção porque os valores foram pagos com recursos da cota parlamentar, verba pública destinada ao custeio de despesas relacionadas ao exercício do mandato. As normas internas da Câmara proíbem expressamente o ressarcimento de bebidas alcoólicas.

De acordo com as informações divulgadas pelo Metrópoles e reproduzidas pela Revista Oeste e outros veículos, duas notas fiscais apresentadas pela parlamentar continham produtos alcoólicos que acabaram sendo incluídos nos pedidos de reembolso.

TRÊS TAÇAS DE ESPUMANTE E UMA CONTA DE R$ 453,84

Uma das despesas foi registrada no restaurante The Palm Bar & Grill, em Nova York, no dia 15 de março.

A nota fiscal apresentava uma conta de US$ 84, incluindo três taças de espumante Gloria Ferrer Blanc de Blancs, no valor de US$ 57, além de uma sobremesa tiramisù, de US$ 18,25.

O documento resultou em um ressarcimento de R$ 453,84 pela Câmara dos Deputados.

Ou seja, uma despesa que incluía bebidas alcoólicas acabou sendo paga com dinheiro dos contribuintes, apesar da proibição estabelecida pelas regras da própria instituição.

CERVEJA ARTESANAL TAMBÉM ENTROU NO REEMBOLSO

A segunda despesa ocorreu no restaurante Luke’s Lobster, localizado no Grand Central Terminal, também em Nova York.

O comprovante, emitido em 14 de março, registrava a compra de um sanduíche de lagosta por US$ 26 e uma cerveja artesanal por US$ 8.

Nesse caso, a Câmara dos Deputados reembolsou R$ 216,18.

Somadas, as duas despesas representam R$ 670,02 pagos com recursos públicos em refeições que incluíam bebidas alcoólicas.

O episódio levanta questionamentos sobre os procedimentos de conferência das despesas apresentadas pelos parlamentares e sobre a fiscalização do dinheiro disponibilizado para o exercício dos mandatos.

ASSESSORIA DA DEPUTADA ALEGA ERRO NAS NOTAS EM INGLÊS

Depois da divulgação do caso, a assessoria de Carol Dartora apresentou uma justificativa para os pedidos de ressarcimento.

Segundo o gabinete, houve um “equívoco na conferência da documentação apresentada”.

A equipe argumentou que os comprovantes estavam em inglês, o que teria dificultado a identificação discriminada dos itens consumidos e impedido que os responsáveis pela análise percebessem a presença das bebidas alcoólicas.

Em manifestação encaminhada à imprensa, a assessoria reconheceu que o ressarcimento de bebidas alcoólicas é vedado pelas normas institucionais da Câmara.

O gabinete também informou que adotaria imediatamente as providências administrativas necessárias para devolver integralmente os valores correspondentes às despesas.

A explicação, entretanto, não elimina os questionamentos sobre a responsabilidade pela apresentação, conferência e aprovação dos comprovantes.

Afinal, documentos utilizados para solicitar ressarcimento de dinheiro público precisam ser examinados com atenção, independentemente do idioma em que foram emitidos.

CÂMARA DOS DEPUTADOS FOI QUESTIONADA

O Metrópoles informou que procurou a Câmara dos Deputados para obter esclarecimentos sobre o ressarcimento das despesas, mas não havia recebido resposta até a publicação da reportagem.

A ausência de esclarecimento institucional deixa questões importantes: como despesas proibidas foram aprovadas? Quem realizou a conferência dos documentos? Quais mecanismos de fiscalização foram utilizados antes da liberação dos valores?

Também é necessário acompanhar se a devolução anunciada pela assessoria será efetivamente realizada e se haverá registro formal da restituição aos cofres públicos.

O QUE É A COTA PARLAMENTAR?

A cota para o exercício da atividade parlamentar é uma verba indenizatória disponibilizada aos deputados federais para cobrir despesas relacionadas ao desempenho do mandato.

Entre os gastos permitidos estão passagens aéreas, manutenção de escritórios políticos e aluguel de veículos, observadas as regras específicas de utilização e comprovação.

O valor disponibilizado varia conforme o estado de representação do parlamentar, considerando, entre outros fatores, os custos de deslocamento até Brasília.

Não se trata de dinheiro particular do deputado. São recursos públicos, provenientes dos impostos pagos pela população, e sua utilização precisa respeitar rigorosamente as regras estabelecidas pela Câmara.

REPÚDIO À FALTA DE RIGOR COM O DINHEIRO DO CONTRIBUINTE

O caso envolvendo Carol Dartora merece uma discussão séria sobre responsabilidade, transparência e respeito ao dinheiro público.

Não importa se o parlamentar pertence ao PT, PL, MDB ou qualquer outra legenda. As regras precisam valer igualmente para todos. Nenhum mandato parlamentar representa autorização para utilizar recursos públicos em despesas expressamente proibidas.

O argumento de que as notas estavam em inglês precisa ser analisado com responsabilidade. A documentação apresentada para obter ressarcimento deveria passar por uma conferência adequada antes que qualquer pagamento fosse autorizado.

O contribuinte brasileiro não tem obrigação de financiar bebidas alcoólicas consumidas durante refeições de representantes políticos em viagens internacionais. O dinheiro da cota parlamentar possui finalidade pública e deve ser utilizado exclusivamente dentro dos limites regulamentares.

Também é importante reconhecer que a assessoria anunciou a devolução integral dos valores. Essa providência precisa ser acompanhada e comprovada, para que a sociedade saiba se os R$ 670,02 efetivamente retornaram aos cofres públicos.

O episódio reforça a necessidade de fiscalização rigorosa sobre despesas parlamentares. Enquanto milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para pagar contas, impostos e despesas básicas, qualquer utilização irregular de dinheiro público precisa ser esclarecida.

A cobrança por transparência não é perseguição política. É um dever de quem representa a população e administra recursos financiados pelos cidadãos.

Dinheiro público exige responsabilidade pública. As regras da Câmara não podem ser tratadas como opcionais, e a população tem o direito de exigir explicações sobre cada centavo utilizado em seu nome.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags