
Careca do INSS aparece em encontro com Hugo Motta e ministro do TCU na casa de lobista; fotos levantam questionamentos sobre relações e transparência
Imagens de dezembro de 2024 mostram Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, ao lado do presidente da Câmara, Hugo Motta, e do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus. Encontro ocorreu na cobertura do empresário Charles Capella de Abreu, em Brasília, com a presença de advogados que chegaram a representar o lobista na investigação sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Ministro afirma que permaneceu no local por cerca de 20 minutos e não se lembra do teor das conversas; Motta não se manifestou.
Encontro em Brasília reúne personagens ligados ao meio político e jurídico
Um encontro realizado em 6 de dezembro de 2024, em Brasília, voltou ao centro do debate público após a divulgação de imagens que mostram Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido nacionalmente como Careca do INSS, ao lado de Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, e de Jhonatan de Jesus, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
Os registros foram divulgados em 8 de outubro de 2026 pela coluna do jornalista Tácio Lorran, do Metrópoles, e repercutidos por outros veículos de comunicação. As fotografias mostram os participantes em um encontro social na cobertura do empresário e lobista Charles Capella de Abreu, em Brasília. <Cite refs={[“turn500209search1″,”turn500209search7″,”turn500209search0”]}/>
A reunião ocorreu antes da deflagração da Operação Sem Desconto, em abril de 2025, investigação da Polícia Federal que apura um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. Na época do encontro, Antonio Carlos Camilo Antunes já havia sido mencionado em reportagens sobre sua atuação junto a entidades envolvidas em cobranças de aposentados e pensionistas.
O encontro ganha relevância pública porque reúne, no mesmo ambiente, um empresário investigado, o presidente da Câmara dos Deputados e um integrante do tribunal responsável por fiscalizar a aplicação de recursos públicos e examinar processos administrativos de interesse de diferentes setores.
É importante, porém, fazer uma distinção: a presença de autoridades em um evento social com uma pessoa posteriormente investigada não comprova, por si só, participação em irregularidades. O que as imagens documentam é o encontro; eventuais relações comerciais, pedidos de favorecimento ou interferências em processos precisam ser apurados com provas específicas.
Quem estava presente no encontro?
Além de Hugo Motta, Jhonatan de Jesus e Antonio Carlos Camilo Antunes, também estavam presentes os advogados Alberto Moreira e Flávio Schegerin.
O encontro foi realizado na cobertura de Charles Capella de Abreu, empresário e lobista que atuou como assessor da Casa Civil durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
De acordo com as reportagens, o evento foi organizado para um grupo restrito de convidados e estava relacionado à inauguração do imóvel. Nas imagens divulgadas, os participantes aparecem conversando e consumindo vinho e espumante. <Cite refs={[“turn500209search0″,”turn500209search1″,”turn500209search7”]}/>
Os nomes envolvidos merecem ser apresentados com clareza:
- Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS: lobista investigado na apuração sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
- Hugo Motta (Republicanos-PB): deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados.
- Jhonatan de Jesus: ministro do Tribunal de Contas da União, ex-deputado federal por Roraima.
- Charles Capella de Abreu: empresário e lobista que recebeu os convidados em sua cobertura em Brasília e foi assessor da Casa Civil durante os governos Lula e Dilma.
- Alberto Moreira: advogado que, juntamente com Flávio Schegerin, chegou a representar Antonio Carlos Camilo Antunes no âmbito da Operação Sem Desconto.
- Flávio Schegerin: advogado que também atuou na representação jurídica do Careca do INSS e aparece entre os participantes do encontro.
A presença dessas pessoas no mesmo evento não estabelece automaticamente qualquer vínculo ilícito entre elas. Entretanto, a divulgação das imagens torna legítimo perguntar qual era a natureza do encontro, como os participantes se conheciam e se houve conversas relacionadas a interesses profissionais ou institucionais.
Ministro Jhonatan de Jesus diz que ficou apenas 20 minutos
Procurado pela imprensa, Jhonatan de Jesus afirmou que permaneceu no local por aproximadamente 20 minutos. O ministro declarou não se recordar do teor das conversas e disse que aquele teria sido seu primeiro e único contato com Antonio Carlos Camilo Antunes.
A explicação é relevante e deve ser registrada. Ainda assim, diante da repercussão do caso, seria importante que eventuais esclarecimentos adicionais ajudassem a estabelecer o contexto da presença do ministro, quem o convidou e se houve alguma conversa relacionada a processos de interesse do lobista no TCU.
O tribunal exerce uma função importante no controle externo da administração pública. Por isso, a transparência sobre possíveis contatos entre seus integrantes e pessoas que tenham interesses submetidos à fiscalização institucional é essencial para preservar a confiança pública.
Até onde as reportagens consultadas informam, as imagens não demonstram que Jhonatan tenha discutido processos do Careca do INSS durante o encontro. Tampouco comprovam que tenha oferecido qualquer tipo de favorecimento.
O ponto que merece esclarecimento é a combinação entre o encontro, a posterior investigação do lobista e a existência de outros fatos que passaram a ser conhecidos sobre relações envolvendo pessoas próximas ao ministro.
Hugo Motta não se manifestou
Hugo Motta, então presidente da Câmara dos Deputados, também aparece nas imagens ao lado de Antonio Carlos Camilo Antunes e Jhonatan de Jesus.
Segundo as reportagens publicadas em 8 de outubro, Motta não havia se manifestado sobre o encontro até o fechamento das matérias. <Cite refs={[“turn500209search0″,”turn500209search7”]}/>
A ausência de uma manifestação pública não comprova irregularidade. No entanto, considerando a relevância institucional do cargo ocupado por Motta, explicações sobre o contexto do evento podem contribuir para esclarecer a natureza das relações retratadas nas imagens.
A sociedade tem interesse legítimo em saber como autoridades públicas se relacionam com empresários, lobistas e representantes de interesses privados, sobretudo quando esses indivíduos aparecem posteriormente em investigações de grande repercussão.
Perguntas sobre a ocasião, os anfitriões e a finalidade do encontro são compatíveis com o dever de transparência. Respostas objetivas permitiriam diferenciar uma participação social sem consequências institucionais de eventuais contatos que mereçam análise mais aprofundada.
Advogados do Careca do INSS também participaram
Outro aspecto relevante é a presença dos advogados Alberto Moreira e Flávio Schegerin.
Os dois chegaram a representar Antonio Carlos Camilo Antunes no âmbito da Operação Sem Desconto, embora posteriormente o lobista tenha passado a ser representado por outra banca de advocacia. <Cite refs={[“turn500209search0″,”turn500209search7”]}/>
A participação dos advogados no evento ajuda a compreender a rede de relações profissionais e sociais que cercava os convidados, mas não constitui evidência de irregularidade. Advogados têm o direito de representar clientes investigados e participar de encontros sociais, respeitadas as normas profissionais e legais.
O que merece ser esclarecido, caso existam elementos adicionais, é se o encontro teve finalidade exclusivamente social ou se incluiu conversas sobre assuntos profissionais, contratos, procedimentos administrativos ou interesses submetidos a autoridades públicas.
Sem evidências específicas, não é possível afirmar que o encontro tenha sido uma reunião para tratar de vantagens indevidas ou interferências em processos.
O contexto da Operação Sem Desconto
A Operação Sem Desconto foi deflagrada pela Polícia Federal em abril de 2025 para investigar suspeitas relacionadas a descontos associativos considerados indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O caso ganhou repercussão nacional porque atingiu aposentados e pensionistas, pessoas que dependem de seus benefícios previdenciários para custear despesas essenciais, como alimentação, medicamentos, moradia e contas domésticas.
Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, tornou-se um dos personagens centrais das investigações sobre o esquema. As apurações envolvem suspeitas sobre a atuação de entidades que realizavam cobranças e sobre as relações financeiras e profissionais de pessoas ligadas a esse mercado.
A divulgação das fotografias, quase dois anos depois do encontro, não significa que os participantes soubessem antecipadamente de todos os fatos investigados. O evento ocorreu em dezembro de 2024, enquanto a operação policial foi deflagrada em abril de 2025.
A cronologia, portanto, precisa ser respeitada. O que pode ser questionado é o contexto das relações entre os participantes e se existem outros registros que ajudem a esclarecer eventuais contatos institucionais.
O BMW registrado em nome da esposa do ministro
A controvérsia ganhou outra dimensão com informações divulgadas anteriormente pelo Metrópoles sobre um BMW X1 branco, avaliado em aproximadamente R$ 350 mil, que foi encontrado pela Polícia Federal na residência do Careca do INSS durante diligências da investigação.
Segundo as reportagens, o veículo estava registrado em nome de Thallys de Jesus, esposa do ministro Jhonatan de Jesus, e foi localizado na residência do lobista em Brasília. O caso levantou questionamentos sobre a negociação e a transferência do automóvel. <Cite refs={[“turn500209search2″,”turn500209search13”]}/>
Jhonatan explicou que o carro havia sido colocado à venda e que o negócio teria sido intermediado por um advogado conhecido, identificado nas reportagens como Flávio Schegerin. Segundo a versão apresentada, o veículo teria sido vendido ao lobista no início de 2025, mas a transferência documental teria sofrido atraso.
A esposa do ministro chegou a recorrer à Justiça do Distrito Federal para buscar a conclusão da transferência junto ao Detran-DF, de acordo com as informações publicadas.
Esses elementos não autorizam concluir, isoladamente, que houve crime ou que o ministro tenha recebido alguma vantagem indevida. Para isso, seriam necessários documentos, análise das condições da negociação, comprovação dos pagamentos e apuração de eventuais vínculos com decisões ou interesses públicos.
Entretanto, a existência de um veículo registrado em nome de pessoa ligada a um ministro e encontrado na residência de um lobista investigado é um fato que justifica esclarecimentos documentais. A transparência sobre valores, datas, pagamentos e transferência de propriedade é fundamental para que o episódio seja avaliado com base em evidências.
O que precisa ser esclarecido?
O encontro de dezembro de 2024 e as informações sobre o BMW levantam questões diferentes, que não devem ser confundidas.
Primeiro, é importante esclarecer a finalidade do encontro e as circunstâncias em que Hugo Motta e Jhonatan de Jesus conheceram Antonio Carlos Camilo Antunes.
Segundo, é necessário verificar se existem registros de conversas sobre processos de interesse do lobista no TCU ou sobre atividades relacionadas ao INSS. As imagens divulgadas, por si só, não demonstram que esse tipo de assunto tenha sido tratado.
Terceiro, a negociação do BMW deve ser compreendida por meio de documentos que permitam confirmar o valor efetivamente pago, as datas da transação e o motivo da demora na transferência formal.
Por fim, é importante que eventuais órgãos de investigação examinem os fatos de acordo com suas competências, sem presumir culpa a partir de relações sociais, mas também sem descartar perguntas legítimas sobre transparência e possíveis conflitos de interesses.
Conclusão: encontro documentado, perguntas ainda sem resposta
As imagens divulgadas mostram Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, ao lado de Hugo Motta e do ministro do TCU Jhonatan de Jesus em um evento realizado na cobertura de Charles Capella de Abreu, em Brasília, em 6 de dezembro de 2024.
Também estavam presentes os advogados Alberto Moreira e Flávio Schegerin, que chegaram a representar o lobista investigado.
Jhonatan afirmou que ficou cerca de 20 minutos no local e que não se lembra do conteúdo das conversas. Hugo Motta não havia se manifestado sobre o episódio nas reportagens consultadas.
As fotografias não provam que os participantes tenham cometido irregularidades, mas documentam um encontro que merece ser contextualizado diante da investigação sobre descontos indevidos em benefícios previdenciários e das informações publicadas sobre a negociação de um veículo registrado em nome da esposa do ministro.
O interesse público exige transparência, apuração responsável e distinção entre fatos comprovados e suspeitas. Em um caso que envolve recursos de aposentados e pensionistas, a sociedade tem o direito de cobrar esclarecimentos sobre as relações entre autoridades, lobistas e pessoas investigadas, sem transformar perguntas legítimas em condenações antecipadas.
A credibilidade das instituições depende justamente dessa combinação: investigação independente, respostas claras e responsabilidade na divulgação de informações.