
Carlos Bolsonaro reage à visita cronometrada ao pai e insinua articulações externas que poderiam “mudar tudo”
Após encontro de apenas 30 minutos autorizado por Alexandre de Moraes, vereador afirma que Jair Bolsonaro está emocionalmente abalado e volta a falar em “movimentos” fora da prisão que poderiam influenciar o rumo do caso.
A manhã desta terça-feira (25) começou tensa na sede da Polícia Federal em Brasília. Depois de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro deixou o local irritado com o tempo extremamente limitado da visita e reforçou que o pai se encontra “emocionalmente devastado”.
A autorização para as visitas, concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, prevê encontros de no máximo 30 minutos, com apenas dois familiares por dia, e um de cada vez. Carlos não escondeu a revolta:
“Eu nunca vi isso, visita cronometrada. Trinta minutos com meu pai…”.
Além de lamentar o estado psicológico de Bolsonaro, Carlos voltou a mencionar que existem “movimentos aqui fora que podem mudar toda a história”, sem explicar do que se trata — uma frase que ele tem repetido desde antes da prisão.
Assim como Carlos, o senador Flávio Bolsonaro também esteve com o pai nesta manhã. Ao sair, afirmou que o ex-presidente proclamou sua inocência e reclamou de uma suposta proibição de alimentos levados pelos familiares. Flávio ainda reforçou que segue empenhado na aprovação de um projeto de anistia.
Acusações externas e clima político
Horas antes da visita, Carlos já havia usado as redes sociais para dizer que o pai é alvo de “perseguição política” e até “tortura”. Segundo ele, fatores externos — que também não detalhou — poderiam favorecer uma eventual absolvição.
Depois do encontro, ele voltou a insistir que o processo é absurdo:
“Tudo isso é um circo armado que não faz sentido nenhum”.
A vigília e a tornozeleira
Carlos também criticou a decisão de usar uma vigília religiosa organizada pelos apoiadores como um dos elementos que motivaram a prisão, chamando a medida de “afronta”.
Flávio havia convocado a vigília pelas redes sociais no fim de semana, pedindo orações pela saúde do pai. Para Moraes, no entanto, a mobilização teria servido como oportunidade para uma possível tentativa de fuga.
O vereador rebateu a acusação de violação da tornozeleira eletrônica — outro ponto citado na decisão:
“Ele nem deveria estar usando aquela tornozeleira. É ilegal. E se ele quisesse fugir, teria rompido a correia. Não rompeu.”
Regras de visita e monitoramento
As visitas seguem um protocolo rígido: de terça e quinta-feira, das 9h às 11h. Em caso de problemas de saúde, o médico-chefe da PF deve ser acionado; em emergências, o Samu. Moraes também manteve a autorização para que a equipe médica de Bolsonaro entre sem necessidade de aval prévio da Justiça.
Enquanto isso, a movimentação política segue intensa — com aliados pressionando por anistia, o STF acelerando decisões e a família Bolsonaro tentando mostrar que o ex-presidente está fragilizado, mas firme na narrativa de inocência.