
“Carona em jatinho” vira alvo no Senado
Alessandro Vieira cobra código de conduta no STF e critica influência de advogados ligados a ministros
A CPI do Crime Organizado no Senado abriu espaço, nesta terça-feira (9/12), para um debate que já vinha crescendo nos bastidores: a necessidade de um código de conduta para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outros tribunais superiores. Quem puxou o assunto foi o relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que não poupou críticas — especialmente às já conhecidas “caronas em jatinho” e à relação próxima de advogados com ministros que julgam casos de interesse desses mesmos escritórios.
Vieira questionou diretamente o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, sobre como o governo pretende enfrentar o que chamou de “infiltração do crime organizado” dentro das instituições públicas. O senador citou que, em Brasília, o crime não se resume ao estereótipo de homens armados na favela: ele também aparece em gabinetes, escritórios e corredores de poder.
A proposta de um código de conduta vinha sendo discutida após reportagem sobre um movimento do presidente do STF, Edson Fachin, que voltou a defender a criação de regras internas para a Corte — sugestão que teria incomodado alguns ministros.
Durante a sessão, Vieira foi direto:
“Crime organizado não é o preto pobre armado na favela. Crime organizado é o que se infiltra nos gabinetes. Que soluções nós temos? O código de ética é um caminho. Discordo do ministro Barroso quando diz que ministros não precisam disso.”
As críticas surgiram poucos dias após o O Globo divulgar que o ministro Dias Toffoli viajou de jatinho ao lado de um advogado envolvido no caso do Banco Master — processo que, coincidentemente, está sob sua relatoria.
Vieira acrescentou que o Brasil já viu políticos de todos os níveis sendo presos — presidentes, ministros, senadores, deputados, governadores — mas que nenhum ministro de tribunal superior chegou ao banco dos réus até hoje. “Esse momento se avizinha”, afirmou.
O senador reforçou que não generaliza a classe dos advogados, mas destacou relatos de compra de acesso e influência em gabinetes. Citou ainda a contratação recorrente de esposas de ministros como advogadas por empresas com processos na Corte, mencionando o caso de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e seu contrato milionário com o Banco Master.
Lewandowski, por sua vez, respondeu que é “veementemente contrário” a qualquer desvio ético, afirmando que o país já possui leis suficientes — faltaria apenas aplicá-las com rigor e retomar a fiscalização.