Caso Master: PF aponta mensagens e pagamentos ligados a Jaques Wagner em investigação sobre venda do Banco Master ao BRB

Caso Master: PF aponta mensagens e pagamentos ligados a Jaques Wagner em investigação sobre venda do Banco Master ao BRB

Conversas no celular de ex-sócio de Vorcaro colocam atuação do senador sob análise da Polícia Federal

A Polícia Federal encontrou no celular de Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, mensagens que citam o senador Jaques Wagner (PT-BA) em diálogos relacionados à tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). O caso faz parte da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo a instituição financeira e seu núcleo de gestão.

Segundo os investigadores, as conversas indicam que Wagner era tratado como um “interlocutor relevante” dentro das articulações políticas ligadas ao Master e teria mantido contato com pessoas diretamente envolvidas na negociação da tentativa de compra do banco público pelo BRB.

PF cita mensagens e pagamentos ligados a estrutura do Banco Master

De acordo com o relatório, em março de 2025, Augusto Lima teria detalhado ao senador os bastidores da operação de venda do Banco Master ao BRB, conhecida internamente como “Projeto Vórtice”.

Em uma das mensagens destacadas pelos investigadores, Lima escreve ao parlamentar:

“Você mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso!!”

Para a PF, o conteúdo reforça a hipótese de que o senador não atuava apenas como observador, mas mantinha interlocução ativa em um ambiente considerado estratégico dentro das negociações envolvendo o banco.

Tentativa de venda ao BRB e investigação sobre o Master

Entre março e setembro de 2025, o BRB tentou adquirir o Banco Master em uma operação que acabou sendo rejeitada pelo Banco Central. O regulador entendeu que a transação apresentava riscos relevantes à instituição pública do Distrito Federal.

Segundo a investigação, o BRB já havia realizado aportes bilionários na instituição por meio da aquisição de ativos considerados problemáticos, o que levantou suspeitas e contribuiu para o avanço das apurações.

Posteriormente, diante do agravamento da situação financeira, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

Supostos benefícios investigados pela PF

O relatório da Polícia Federal também menciona possíveis vantagens associadas ao esquema investigado. Entre elas, estão:

  • Um imóvel de alto padrão em Salvador, estimado em cerca de R$ 2,5 milhões
  • Transferências financeiras somando aproximadamente R$ 3,5 milhões a uma empresa ligada ao entorno familiar do senador

Os investigadores apontam ainda mensagens atribuídas a familiares do parlamentar cobrando pagamentos relacionados às tratativas financeiras.

Operação Compliance Zero segue em andamento

A fase mais recente da operação cumpriu mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça. As diligências atingiram pessoas ligadas ao banco e ao núcleo investigado.

A defesa de Jaques Wagner ainda não se manifestou oficialmente sobre os novos elementos citados no relatório. Já envolvidos próximos a Augusto Lima classificaram as ações da PF como desnecessárias.

Contexto do Caso Master

A investigação da PF envolve a atuação do Banco Master em operações financeiras, tentativas de expansão e relações com agentes públicos e privados. O caso segue em apuração e novas fases da operação não estão descartadas pelas autoridades.

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