Filho de Gilmar Mendes amplia influência na CBF e desponta como um dos principais articuladores do futebol brasileiro

Filho de Gilmar Mendes amplia influência na CBF e desponta como um dos principais articuladores do futebol brasileiro

Francisco Schertel Mendes ganhou protagonismo na Confederação Brasileira de Futebol após mudanças na gestão, participa de decisões estratégicas, integra comitê da FIFA e já é citado nos bastidores como possível futuro presidente da entidade.

A eliminação precoce da Seleção Brasileira na Copa do Mundo reacendeu discussões sobre os bastidores da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Entre os temas que voltaram ao centro do debate está o crescimento da influência de Francisco Schertel Mendes, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

Embora Francisco ocupe oficialmente a vice-presidência da Federação Mato-grossense de Futebol, dirigentes e reportagens publicadas por diferentes veículos apontam que ele se tornou uma das figuras mais influentes da atual estrutura da CBF. Sua atuação ultrapassa o cargo formal e alcança áreas estratégicas da administração da entidade, incluindo reformas administrativas, desenvolvimento do futebol e discussões sobre a criação de uma liga nacional.

O assunto ganhou ainda mais repercussão após Gilmar Mendes publicar uma mensagem nas redes sociais agradecendo aos jogadores da Seleção Brasileira pela campanha na Copa do Mundo, defender a permanência do técnico Carlo Ancelotti e prestar homenagem a Neymar. A manifestação chamou atenção justamente em razão da crescente presença de seu filho nos bastidores da principal entidade do futebol brasileiro.

Ascensão nos bastidores da CBF

Francisco Schertel Mendes, de 41 anos, construiu espaço dentro da administração esportiva nos últimos anos. Além de integrar a direção da Federação Mato-Grossense de Futebol, ele ocupa uma cadeira no Comitê Disciplinar da FIFA, tornando-se um dos poucos brasileiros a participar de um dos principais órgãos jurídicos da entidade máxima do futebol mundial.

Dentro da CBF, dirigentes o apontam como um dos principais articuladores do grupo informalmente conhecido como “turma de Brasília”, responsável por coordenar projetos considerados estratégicos para o futuro da confederação.

Entre esses projetos estão:

  • implantação do fair play financeiro;
  • reorganização administrativa da CBF;
  • fortalecimento da governança da entidade;
  • negociações para criação de uma liga nacional única de clubes;
  • articulação com federações estaduais.

Segundo relatos publicados pela imprensa, Francisco mantém diálogo frequente com presidentes de federações estaduais e dirigentes de clubes, tornando-se um dos principais interlocutores da atual administração.

Parceria entre CBF e IDP fortaleceu presença da família Mendes

A aproximação entre a CBF e a família Mendes ganhou força em 2023, quando a entidade firmou um contrato de dez anos com o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado por Gilmar Mendes e atualmente administrado por familiares.

Pelo acordo, o IDP assumiu a gestão da CBF Academy, responsável pela formação de técnicos, árbitros, dirigentes e gestores esportivos.

O contrato prevê que:

  • 84% das receitas da CBF Academy sejam destinadas ao IDP;
  • 16% permaneçam com a CBF;
  • exista multa milionária em caso de rompimento antecipado do contrato.

Na cerimônia de assinatura do acordo, Francisco Mendes comparou a parceria entre CBF e IDP às grandes duplas da história do futebol brasileiro, afirmando esperar uma “tabelinha” semelhante às de Garrincha e Pelé ou Ronaldo e Rivaldo.

Decisões judiciais envolvendo a CBF

A relação entre Gilmar Mendes e a CBF também passou a ser observada com maior atenção após decisões do ministro em processos envolvendo a entidade.

Em janeiro de 2024, Gilmar concedeu uma liminar que reconduziu Ednaldo Rodrigues à presidência da CBF, suspendendo uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que havia determinado seu afastamento.

Na época, surgiram questionamentos porque o contrato entre a CBF e o IDP já estava em vigor.

Gilmar Mendes respondeu às críticas afirmando que não havia conflito de interesses, sustentando que o instituto apenas prestava serviços educacionais para a entidade esportiva e que isso não comprometia sua atuação como ministro do STF.

Mudança de cenário e queda de Ednaldo Rodrigues

O cenário mudou em 2025.

Após surgirem suspeitas envolvendo possíveis irregularidades em um acordo utilizado para manter Ednaldo Rodrigues na presidência da CBF, Gilmar Mendes determinou que o caso fosse analisado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Poucos dias depois, o tribunal anulou o acordo, afastou Ednaldo da presidência e determinou novas eleições para a entidade.

Nos bastidores do futebol, diversos dirigentes interpretaram esse movimento como o fim do apoio jurídico que Ednaldo vinha recebendo.

O ministro, entretanto, declarou posteriormente que sua decisão foi exclusivamente técnica e jurídica.

Nova gestão amplia influência de Francisco

Com a eleição de Samir Xaud para a presidência da CBF, a influência de Francisco Schertel Mendes aumentou ainda mais.

Pessoas ligadas ao IDP passaram a ocupar cargos considerados estratégicos dentro da entidade, especialmente nas áreas jurídica, administrativa e de desenvolvimento do futebol.

Reportagens também apontam que Francisco participa diretamente das discussões sobre o novo modelo de gestão financeira dos clubes brasileiros.

O chamado fair play financeiro pretende estabelecer regras para controlar o endividamento dos clubes, impedir atrasos de salários, limitar dívidas fiscais e aumentar a sustentabilidade econômica do futebol nacional.

Disputa por uma liga nacional

Outro tema central da atual administração envolve a reorganização dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

Segundo reportagens, o grupo ligado a Francisco Mendes defende a criação de uma liga única de clubes vinculada institucionalmente à CBF.

Essa proposta difere do atual modelo, no qual blocos de clubes negociam separadamente seus contratos comerciais e direitos de televisão.

A discussão envolve cifras bilionárias e representa uma das maiores disputas econômicas do futebol brasileiro nos últimos anos.

Bastidores apontam possível candidatura futura

Nos corredores da CBF, dirigentes já mencionam Francisco Schertel Mendes como um possível candidato à presidência da entidade em futuras eleições.

Embora ele nunca tenha confirmado interesse em disputar o cargo, sua aproximação com presidentes de federações estaduais, seu papel na CBF Academy e sua influência na atual gestão são apontados como fatores que podem fortalecer uma eventual candidatura.

Por enquanto, Francisco continua exercendo funções fora da diretoria executiva da CBF, mas seu protagonismo político e administrativo dentro do futebol brasileiro vem crescendo rapidamente.

Debate sobre governança

A ascensão de Francisco Mendes também alimentou debates sobre governança, transparência e possíveis conflitos de interesse envolvendo a relação entre o STF, o IDP e a CBF.

Enquanto críticos questionam a proximidade entre as instituições, Gilmar Mendes afirma reiteradamente que nunca houve impedimento legal para atuar nos processos relacionados à entidade e sustenta que todas as suas decisões foram tomadas com base em critérios jurídicos.

Independentemente das divergências, há consenso de que Francisco Schertel Mendes passou a ocupar uma posição de grande influência no futebol brasileiro. Sua atuação alcança desde a formação de dirigentes e árbitros até reformas estruturais, negociações sobre direitos de transmissão, implantação do fair play financeiro e articulação política entre clubes e federações, consolidando seu nome entre os principais dirigentes dos bastidores da CBF.

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