
Caso Master: PF aponta histórico criminal de bicheiro ligado a grupo de Vorcaro e estrutura armada no Rio
Investigação cita “Manolo Dom” como peça central de núcleo investigado por intimidação e contravenção; ele já foi condenado por associação criminosa e teve candidatura barrada pela Ficha Limpa
Um dos nomes citados nas investigações do Caso Master pela Polícia Federal é o de Manoel Mendes Rodrigues, conhecido no Rio de Janeiro como “Manolo Dom”, apontado como integrante de um núcleo suspeito de atuar em favor de interesses ligados ao entorno do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a PF, “Manolo Dom” teria papel relevante em uma estrutura investigada por intimidação, monitoramento e pressão sobre pessoas consideradas ameaças ao grupo, além de ações voltadas à proteção de interesses privados.
Histórico criminal e atuação na contravenção
De acordo com os registros citados no inquérito, Manoel já foi condenado por associação criminosa em 2012, em um processo que envolvia outros investigados ligados a fraudes e atividades ilegais no Sudeste.
A pena, de um ano e nove meses em regime aberto, transitou em julgado em 2013. O histórico acabou sendo decisivo para que, em 2016, sua candidatura a vereador no Rio de Janeiro fosse indeferida pela Justiça Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa.
Além disso, ele também aparece em registros antigos de investigação da Polícia Federal por envolvimento com bingo clandestino e máquinas caça-níqueis no Rio de Janeiro.
Estrutura investigada pela PF
Nas apurações mais recentes, a Polícia Federal afirma que “Manolo Dom” passou a integrar um grupo descrito como altamente estruturado, com atuação voltada à proteção de interesses ligados ao entorno de Vorcaro.
O relatório policial menciona que a organização teria características semelhantes às de um grupo armado, com uso de seguranças, armamentos de grosso calibre e veículos blindados, além de práticas de vigilância e intimidação.
Os investigadores também indicam que o grupo mantinha conexões com outros nomes investigados no caso, incluindo interlocutores próximos ao núcleo familiar de Vorcaro.
Conexões e movimentações financeiras
A PF aponta ainda que empresas associadas a Manoel teriam recebido transferências financeiras de cerca de R$ 200 mil, oriundas de companhias ligadas ao círculo de pessoas investigadas no entorno do ex-banqueiro.
O relatório também cita trocas de mensagens entre “Manolo Dom” e Henrique Vorcaro, nas quais seriam discutidas estratégias e desdobramentos de investigações, além de preocupações com fases da Operação Compliance Zero.
Relação com outros investigados
Em outro trecho, a PF relata que Manoel mantinha contato com Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como integrante de um núcleo de execução de ameaças. Os dois teriam trocado dezenas de mensagens antes da prisão de Mourão.
Após a morte dele no sistema prisional, o relatório indica que “Manolo Dom” ainda teria se deslocado a Belo Horizonte para tratar de assuntos relacionados à família do investigado.
Situação atual da investigação
A Polícia Federal trata o grupo como parte de uma estrutura mais ampla investigada no âmbito do Caso Master, que apura possíveis esquemas de influência, intimidação e movimentações financeiras irregulares envolvendo empresários e intermediários.
Os citados negam irregularidades em manifestações anteriores ou ainda não apresentaram resposta específica sobre os pontos mencionados neste relatório.