
Caso Master: quando o Supremo quis virar sala de interrogatório particular
Delegada da PF bate o pé, Toffoli tenta mandar, e a tensão toma conta do STF
O que era para ser apenas mais um procedimento técnico da Polícia Federal acabou virando um verdadeiro cabo de guerra institucional dentro do Supremo Tribunal Federal. De um lado, a delegada Janaina Palazzo, responsável pelo inquérito do Banco Master. Do outro, o ministro Dias Toffoli, que, mesmo à distância, fez questão de puxar as rédeas — e ainda tentou escolher as perguntas.
O clima ficou pesado antes mesmo de começarem os depoimentos do banqueiro Daniel Vorcaro, do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor do Banco Central, Ailton de Aquino Santos. A delegada chegou com uma missão clara: cumprir a orientação da PF e realizar diretamente uma acareação entre os envolvidos. Simples, técnico e dentro da autonomia policial.
Mas não foi bem assim.
⚖️ Quando o juiz quer ser delegado
Por meio de seu juiz auxiliar, Toffoli insistiu que os depoimentos individuais deveriam acontecer antes da acareação. A delegada discordou — e com razão. Não havia ordem formal nesse sentido. O que havia era pressão.
A solução? Registrar em ata que aquela decisão não partiu da Polícia Federal, mas sim do ministro relator. Um detalhe nada pequeno, diga-se de passagem. Quando autoridades começam a disputar “quem mandou”, é porque a linha da legalidade já está sendo esticada demais.
❓ Perguntas prontas? Não, obrigado
Como se não bastasse, veio o segundo ato do constrangimento: o juiz auxiliar apareceu com uma lista de perguntas prontinhas, esperando que a delegada apenas lesse e assinasse embaixo. A resposta foi direta: delegado não é papagaio de ministro.
Janaina Palazzo se recusou a fazer perguntas que não fossem de sua autoria. Só aceitou depois que ficasse oficialmente registrado que os questionamentos eram de Toffoli — e não dela. Ou seja, se desse problema, cada um com sua responsabilidade.
E ainda bem.
🚨 Repúdio necessário
É impossível ignorar a gravidade do episódio. Um ministro do STF tentando interferir na condução de um inquérito policial, definindo ordem de atos e até o conteúdo das perguntas, não é detalhe técnico — é um sinal preocupante.
A Polícia Federal não é extensão de gabinete, nem delegados são assessores jurídicos de ministro algum. A tentativa de conduzir o inquérito “no controle remoto” merece repúdio claro e sem rodeios.
💰 Um escândalo bilionário não combina com vaidade institucional
Estamos falando de suspeitas de fraudes que podem chegar a R$ 12 bilhões, de um banqueiro preso tentando fugir do país e de negociações envolvendo um banco público. O foco deveria ser a verdade dos fatos — não quem manda mais na sala.
No fim, os depoimentos aconteceram, a acareação foi feita entre os dois investigados, e o diretor do Banco Central foi dispensado. Mas o episódio deixou uma pergunta no ar:
👉 Quem investiga quem, afinal?
Quando o Supremo tenta conduzir o trabalho da Polícia Federal no detalhe, algo está fora do lugar. E não é a delegada.