
Voto de Fux anima advogados e dá fôlego a réus da trama golpista
Defesas dizem que posicionamento do ministro do STF superou expectativas e abriu espaço para contestar decisões anteriores
O início do voto do ministro Luiz Fux, nesta quarta-feira (10), no julgamento dos acusados de articular uma tentativa de golpe em 2022, foi recebido com entusiasmo pelos réus e seus advogados. Celso Vilardi, que defende o ex-presidente Jair Bolsonaro, chegou a dizer que a manifestação do ministro “lavou a alma” da defesa.
Demóstenes Torres, ex-senador e advogado do almirante Almir Garnier, seguiu a mesma linha e afirmou que a fala de Fux representou um alívio coletivo para todos os advogados envolvidos. Em tom de brincadeira, relembrou até a famosa frase dos bastidores da Lava Jato: “in Fux we trust” (“em Fux nós confiamos”).
Fux divergiu do relator Alexandre de Moraes e abriu espaço para novas interpretações sobre a competência do Supremo no caso. Para as defesas, isso poderia até levar à anulação de decisões já tomadas, incluindo delações e prisões.
O voto surpreendeu parte dos advogados, que esperavam apenas penas mais brandas, e não uma contestação tão ampla. Para os defensores do tenente-coronel Mauro Cid, por exemplo, o posicionamento foi “muito além das expectativas”. Ainda assim, há cautela: muitos olham agora para o ministro Cristiano Zanin, de quem esperam ajustes e possíveis brechas para ampliar a estratégia jurídica.
Para alguns, o voto de Fux já é considerado uma vitória parcial. Mas o verdadeiro desfecho dependerá de como os demais ministros irão se posicionar — e se haverá espaço para levar a discussão ao plenário do STF.