
Ciro baixa o tom e admite erros com antigos rivais: “Alguns eu estava errado”
No primeiro discurso após voltar ao PSDB, o ex-governador falou de reconciliação, elogiou André Fernandes e Capitão Wagner e disse que o coração venceu o juízo.
O ex-governador Ciro Gomes usou seu primeiro discurso de volta ao PSDB para fazer algo raro em política: admitir erros e reconhecer divergências com antigos adversários — agora transformados em aliados.
Durante o evento, Ciro citou nominalmente o deputado André Fernandes (PL) e o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil), dois nomes com quem já travou embates intensos no Ceará. Com um tom mais conciliador, ele afirmou que as diferenças serão superadas com diálogo e respeito.
“Do Ceará para frente é quase tudo afinidade e algumas desavenças que nós vamos amadurecer fraternalmente. Estou falando de ti, André Fernandes, esse jovem talento”, disse, arrancando aplausos dos presentes.
Em seguida, o ex-ministro desafiou seus opositores a questionarem sua coerência:
“Podem trazer as diferenças, vamos ver quem tem moral para encarar essa discussão. Aqui não tem ladrão. E lá, dá pra dizer isso?”, provocou.
“Alguns eu estava errado”
Num momento de autocrítica, Ciro também se dirigiu a antigos desafetos políticos, admitindo que nem sempre teve razão.
“Muito obrigado às lideranças que, mesmo pensando diferente, já tiveram embates calorosos comigo. Alguns eu estava errado. O que me custa ter humildade para dizer isso?”, declarou.
Ele aproveitou para mencionar Capitão Wagner, reconhecendo sua coragem em enfrentar o crime organizado no Ceará.
“O Capitão hoje está ameaçado de morte mais uma vez, porque está indo botar o dedo na ferida da questão do domínio das facções. Esse problema é muito mais grave do que parece”, alertou.
Reconciliação e coerência
Ciro defendeu que a política precisa de generosidade para unir diferentes visões em torno de um propósito comum.
“É muito fácil se aliar com quem pensa igual. O difícil é construir pontes com quem discorda — mas é isso que o Ceará precisa agora”, afirmou.
Ele também ironizou as alianças nacionais do PT, lembrando que Lula teve José Alencar, Michel Temer e Geraldo Alckmin como vices.
“Quando é o Lula, pode tudo. José Alencar era do PL, o mesmo partido do André. Michel Temer foi vice da Dilma, e agora o Alckmin, que fundou o PSDB, é vice do Lula. Assim que se enfrentam as contradições”, alfinetou.
“O coração venceu o juízo”
Ciro contou que quase deixou a vida pública antes de ser convencido por Tasso Jereissati a retornar ao PSDB.
“Eu estava com 80% da decisão tomada para abandonar a política. Minhas ideias não cabiam mais nesse ambiente polarizado, cheio de ódio e incoerência”, confessou.
Mas, segundo ele, o convite de Tasso reacendeu o desejo de seguir lutando por seus ideais.
“Minha linha é a coerência. E o Tasso me chamou de volta para defender a decência, as virtudes e o espírito público. No fim, o meu coração venceu o meu juízo”, concluiu.
Em entrevista após o evento, o ex-ministro resumiu o novo momento com uma frase que soou como lição:
“A política é a substituição da violência pelo diálogo.”