Ciro contra-ataca: acusa Lula de proteger agiotas e diz que vai provar tudo o que disse

Ciro contra-ataca: acusa Lula de proteger agiotas e diz que vai provar tudo o que disse

Após virar alvo de ação da AGU, ex-ministro afirma que sofre perseguição judicial e dispara contra o presidente: “colocou o pobre em leilão”

Ciro Gomes voltou a ocupar os holofotes neste sábado ao responder duramente a uma ação movida pela Advocacia-Geral da União (AGU). O processo, apresentado à Justiça Federal do Ceará, acusa o ex-ministro de caluniar o presidente Lula ao sugerir que ele teria recebido propina para lançar o programa “Crédito do Trabalhador”, voltado ao empréstimo consignado para a iniciativa privada.

A reação de Ciro não foi contida. Sem meias palavras, ele disse estar sendo vítima de um “lawfare”, termo usado para descrever o uso político do Judiciário como ferramenta de perseguição. Segundo ele, o que vem enfrentando é uma tentativa sistemática de calá-lo, liderada por aqueles que ele chama de “agiotas que sugam o sangue do povo brasileiro”.

“Agora, quem entra nesse jogo de intimidação é o próprio Lula”, disparou. “O maior agente dos agiotas. Se esconde atrás da caneta presidencial para mover ações e me impedir de falar a verdade”, declarou. Ciro ainda afirmou que, se pudesse se defender com base na exceção da verdade — um mecanismo jurídico que permite provar o que se disse —, demonstraria que tudo o que afirmou é real.

“Lula não colocou o pobre no orçamento. Colocou o pobre em leilão”, provocou, em uma de suas falas mais fortes.

O ex-ministro também negou ter ofendido o presidente e disse que não vai recuar diante do que considera uma tentativa clara de censura. Quem saiu em sua defesa foi ninguém menos que Eduardo Bolsonaro, que se solidarizou com Ciro e sugeriu um possível diálogo entre os dois.

Eduardo afirmou que a ação contra Ciro só ocorreu porque ele teve coragem de denunciar a política que, segundo o deputado, beneficia os bancos às custas da população. “Se ele tivesse ficado quieto, nada disso estaria acontecendo”, alfinetou.

A tensão entre Ciro e Lula, vale lembrar, não é nova. Já foram aliados no passado — Ciro chegou a ser ministro da Integração Nacional no primeiro mandato do petista. Mas, desde 2018, quando recusou o convite para ser vice e embarcou para Paris no segundo turno entre Haddad e Bolsonaro, a relação azedou de vez. Em 2022, o pedetista intensificou as críticas ao PT, rompeu politicamente com o irmão Cid Gomes — que trocou de partido — e agora, em 2025, ensaia até uma aproximação com bolsonaristas no Ceará para tentar impedir a reeleição do governador petista Elmano de Freitas.

Enquanto isso, o embate entre Ciro e Lula se transforma em mais um capítulo de um cenário político cada vez mais polarizado — e judicializado.

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