
Cobrança com data marcada: Lula pressiona ministro por atraso no Minha Casa Minha Vida da classe média — de olho em 2026
Presidente reclama publicamente da lentidão para lançar programa habitacional voltado à classe média, uma de suas apostas eleitorais para o próximo pleito
A campanha nem começou oficialmente, mas a contagem regressiva já está no relógio do Planalto. Nesta sexta-feira (1º), Luiz Inácio Lula da Silva usou um ato público para puxar a orelha do ministro das Cidades, Jader Filho, e da Caixa Econômica Federal pelo atraso na definição da nova faixa de classe média do Minha Casa, Minha Vida. A promessa feita em junho era de um plano pronto em 30 dias — mas, como na burocracia brasileira o tempo parece ter fuso horário próprio, o prazo estourou.
“A Caixa me deve uma explicação. O ministro me deve uma explicação”, disse Lula, com o tom de quem não apenas cobra resultados, mas também votos. Afinal, o programa é tratado como uma das cartas na manga para 2026, quando o presidente tentará mostrar serviço também para quem não está na fila do Bolsa Família.
No microfone, Lula reforçou que Jader precisa acelerar — e prometeu coroar o ministro como o que “mais fez casas na história do Brasil”… desde que, claro, elas saiam do papel. A meta do governo é contratar 2 milhões de moradias até o fim deste ano para garantir que, até o final do mandato, haja chaves sendo entregues e fotos sendo tiradas para o álbum da campanha.
Mas há pedras no caminho — ou melhor, juros altos no financiamento. Jader Filho diz que só dá para lançar o programa com um teto para as taxas e financiamento de até 80% do imóvel. Sem isso, alerta o ministro, não há programa que sobreviva à matemática.
Enquanto aguarda nova rodada de conversas com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, Lula segue repetindo a cobrança em público. Porque, em ano pré-eleitoral, obra atrasada não é só obra atrasada — é voto que pode não aparecer na urna.