Com esparadrapo na boca, Hélio Lopes acampa em protesto silencioso diante do STF

Com esparadrapo na boca, Hélio Lopes acampa em protesto silencioso diante do STF

Deputado bolsonarista critica decisões judiciais e diz que liberdade de expressão está sob ataque no Brasil; Polícia tenta retirá-lo da Praça dos Três Poderes

Vestindo a indignação como armadura e um esparadrapo como símbolo de silêncio forçado, o deputado Hélio Lopes (PL-RJ) montou acampamento na Praça dos Três Poderes, em Brasília, para protestar contra o que considera um cerceamento à liberdade de expressão no país. O gesto veio em resposta às medidas judiciais impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está proibido de dar entrevistas ou se manifestar nas redes sociais por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Com uma barraca, uma Bíblia, a Constituição e a boca coberta, Lopes ficou em completo silêncio diante dos jornalistas. Quando questionado sobre o motivo do protesto, limitou-se a gestos, preferindo o silêncio como forma de denúncia. Ele publicou uma carta aberta nas redes sociais afirmando que o Brasil “não é mais uma democracia”.

A cena atraiu poucos curiosos, quase todos bolsonaristas. O primeiro a se juntar a ele foi o deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), que prometeu armar sua própria barraca em solidariedade:

“Estamos procurando uma forma de mostrar ao Brasil o que está acontecendo.”

Apesar de alegar estar em “jejum de palavras”, o perfil do deputado nas redes sociais seguiu ativo, com mensagens de agradecimento aos apoiadores. Em uma postagem, ele pediu ao governador Ibaneis Rocha que intercedesse diante das abordagens da Polícia Militar, que, segundo ele, tentaram retirá-lo da praça sem justificativa legal.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, declarou apoio público a Hélio Lopes e antecipou seu retorno a Brasília para prestar solidariedade pessoalmente.

A Secretaria de Ordem Urbanística do DF (DF Legal) foi acionada pela PM, que alegou que o espaço não pode ser usado para acampamentos — principalmente após a invasão de 8 de janeiro de 2023. Lopes, no entanto, se recusou a sair, insistindo que está exercendo um direito pacífico e individual, dentro das garantias constitucionais.

Em meio ao silêncio simbólico, à vigilância policial e ao aumento da tensão institucional, o gesto de Hélio Lopes acende mais uma faísca na já desgastada relação entre bolsonarismo e Supremo. Uma encenação política? Um grito mudo de resistência? Ou apenas mais um capítulo da cruzada contra o Judiciário?

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