Comerciante condenado por homicídio, que já tentou matar o próprio padrasto, agride idoso de 79 anos com voadora e pisa em sua cabeça em Osasco

Comerciante condenado por homicídio, que já tentou matar o próprio padrasto, agride idoso de 79 anos com voadora e pisa em sua cabeça em Osasco

Denis Young Kim, de 43 anos, foi condenado a 14 anos de prisão por matar um catador de materiais recicláveis com uma flechada no pescoço, em 2016. Beneficiado pela progressão para o regime aberto em setembro de 2025, voltou a ser investigado após uma agressão brutal contra um idoso que caminhava com muletas. O suspeito se entregou à polícia nesta quarta-feira (4) e teve a prisão temporária cumprida. O histórico do caso levanta questionamentos sobre a execução penal, a proteção da população e a sensação de impunidade diante de episódios de violência extrema.

Um episódio de violência extrema em Osasco, na Grande São Paulo, provocou indignação depois que imagens de câmeras de segurança registraram um comerciante atacando um idoso de 79 anos que caminhava com o auxílio de muletas. O agressor foi identificado como Denis Young Kim, de 43 anos, que já possui uma condenação de 14 anos de prisão por homicídio e antecedentes envolvendo outras ocorrências de violência.

O caso aconteceu na sexta-feira, 30 de outubro, na Rua Octalles Marcondes Ferreira, no bairro Helena Maria. A vítima, identificada como José Ricardo dos Santos, caminhava pela rua quando um Volkswagen Polo passou muito próximo dele. Diante da situação, o idoso encostou a ponta de uma das muletas na traseira do automóvel, aparentemente em sinal de reprovação à maneira como o motorista conduzia o veículo.

A reação foi desproporcional e assustadora.

O motorista desceu do carro e, em vez de simplesmente questionar o ocorrido ou seguir viagem, partiu violentamente contra o homem. As imagens mostram Denis desferindo uma espécie de voadora nas costas do idoso, que caiu no chão. Mesmo com a vítima caída e sem condições de se defender, o agressor ainda pisou em sua cabeça.

Depois da sequência de golpes, o comerciante voltou ao veículo e deixou o local sem prestar socorro.

A violência foi registrada por câmeras de segurança e as imagens passaram a circular, provocando revolta pela brutalidade do ataque. Um motorista que vinha logo atrás parou e ajudou a vítima.

José Ricardo recebeu atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), foi encaminhado inicialmente ao pronto-socorro Osmar Mesquita e posteriormente à UPA Vila Menck. Ele sofreu ferimentos na cabeça, nas costas e no joelho, precisou receber pontos e chegou a permanecer internado. Posteriormente, recebeu alta hospitalar.

O que torna o episódio ainda mais grave é o histórico criminal atribuído ao suspeito. Denis Young Kim não era um cidadão sem antecedentes que, pela primeira vez, se envolvia em um episódio de violência. Ele já havia sido condenado por matar outro trabalhador após uma discussão envolvendo um veículo.

UM HOMICÍDIO COM FLECHA NO PESCOÇO: O PASSADO CRIMINAL DO COMERCIANTE

Em setembro de 2016, Denis foi preso depois de matar Aldemir Ribeiro Pontes, um catador de materiais recicláveis que trabalhava no bairro do Bom Retiro, região central de São Paulo.

Segundo os registros do processo, o conflito começou depois que a carroça utilizada pelo trabalhador teria encostado no automóvel do comerciante. A situação, que poderia ter sido resolvida com uma conversa ou uma simples discussão, terminou em assassinato.

De acordo com a investigação, Denis voltou para casa, pegou uma besta, também conhecida como balestra, e disparou uma flecha contra o catador. O projétil atingiu o pescoço da vítima, provocando uma lesão fatal em uma artéria carótida.

Aldemir morreu.

O comerciante foi preso dois dias depois, após a polícia identificar o veículo utilizado por ele. Na ocasião, admitiu ter efetuado o disparo, mas alegou que pretendia apenas assustar o trabalhador por causa do suposto dano ao automóvel.

A justificativa, evidentemente, não afastou a gravidade do crime.

Em 21 de maio de 2021, Denis foi condenado pela 1ª Vara do Júri do Foro Central Criminal da Capital a 14 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, pelo homicídio duplamente qualificado. A condenação considerou circunstâncias como o motivo fútil e o recurso que dificultou a defesa da vítima, além da condição de idade do trabalhador.

O comerciante permaneceu preso preventivamente desde setembro de 2016 e, depois da condenação, continuou cumprindo a pena.

Entretanto, em 1º de setembro de 2025, conseguiu a progressão para o regime aberto, conforme informações do Tribunal de Justiça de São Paulo.

REGIME ABERTO E NOVA AGRESSÃO: O QUE ACONTECEU COM A EXECUÇÃO DA PENA?

A informação de que um homem condenado a 14 anos por homicídio estava cumprindo pena em regime aberto quando voltou a ser acusado de uma agressão tão violenta naturalmente provoca questionamentos.

A progressão de regime é um mecanismo previsto na legislação penal brasileira. Não significa absolvição, cancelamento da condenação ou declaração de inocência. Trata-se de uma mudança na forma de cumprimento da pena, concedida mediante requisitos legais e decisão judicial.

No caso de Denis, a progressão ocorreu em setembro de 2025, depois de aproximadamente nove anos de prisão, considerando o período de prisão preventiva e a execução da pena.

O regime aberto, entretanto, não representa liberdade irrestrita. O condenado continua sujeito às condições estabelecidas pela Justiça e deve cumprir as obrigações determinadas judicialmente.

O episódio de Osasco coloca em evidência uma discussão que não pode ser ignorada: como proteger a sociedade e evitar que pessoas condenadas por crimes graves voltem a protagonizar episódios de violência?

Não se pode afirmar, sem acesso à íntegra da execução penal, que a progressão tenha sido ilegal. Mas é legítimo cobrar explicações sobre os critérios aplicados, as condições impostas e o acompanhamento do cumprimento da pena.

A legislação precisa garantir direitos, mas também precisa oferecer proteção efetiva à população.

HISTÓRICO DE OUTRAS ACUSAÇÕES: PADRASTO E VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

O histórico policial de Denis também inclui outras ocorrências anteriores ao homicídio de 2016.

Em 2013, ele foi acusado de tentar matar o próprio padrasto utilizando uma faca, durante um desentendimento familiar.

No ano seguinte, em 2014, voltou a aparecer em registros policiais relacionados a denúncias de violência doméstica.

Também houve um episódio em janeiro de 2016, quando foi detido em Guarapari, no Espírito Santo, suspeito de furtar produtos de um supermercado na companhia de um primo. Os dois foram indiciados por furto qualificado, mas receberam liberdade provisória mediante pagamento de fiança. Não há informação de condenação de Denis por esse episódio.

É fundamental distinguir condenações de acusações e registros policiais. As ocorrências anteriores não podem ser tratadas automaticamente como crimes comprovados. Ainda assim, o conjunto de informações ajuda a compreender por que o histórico do comerciante passou a receber atenção especial após a agressão em Osasco.

SUSPEITO SE ENTREGA E É PRESO

Depois da identificação do comerciante, a Polícia Civil iniciou diligências para localizá-lo. Inicialmente, Denis não foi encontrado no endereço cadastrado, e passou a ser procurado pelas autoridades.

A Justiça de São Paulo decretou sua prisão temporária no domingo, 1º de novembro, diante da investigação sobre a agressão ao idoso.

Nesta quarta-feira, 4 de novembro, o comerciante se apresentou acompanhado de advogado no 99º Distrito Policial, localizado no bairro de Campo Grande, na zona sul da capital paulista.

Ele foi preso após o cumprimento do mandado judicial.

O caso é investigado pelo 5º Distrito Policial de Osasco como tentativa de homicídio por motivo fútil. A investigação busca esclarecer todas as circunstâncias do ataque e reunir os elementos necessários para o procedimento criminal.

A defesa do comerciante não foi localizada nas reportagens que divulgaram sua apresentação à polícia.

A prisão temporária relacionada à nova investigação não deve ser confundida com a condenação anterior de 14 anos. São procedimentos distintos: um diz respeito ao homicídio pelo qual ele já foi condenado; o outro, à suspeita de tentativa de homicídio contra José Ricardo.

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