Macron critica forma usada pelos EUA para capturar Maduro

Macron critica forma usada pelos EUA para capturar Maduro

Presidente francês diz não apoiar o método americano, defende o direito internacional e provoca reação dura da esquerda na França

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta segunda-feira (5) que não apoia nem endossa a forma como os Estados Unidos conduziram a captura de Nicolás Maduro, na Venezuela. A declaração foi feita durante uma reunião do Conselho de Ministros e confirmada pela porta-voz do governo francês, Maud Bregeon.

Segundo Macron, embora considere Maduro um ditador e avalie sua saída do poder como positiva para o povo venezuelano, a França não concorda com o método adotado por Washington. Para o presidente francês, o respeito ao direito internacional e à liberdade dos povos deve ser preservado.

De acordo com a porta-voz, Macron afirmou que Maduro retirou direitos fundamentais da população e fraudou as eleições de 2024, vencidas, segundo a França e parte da comunidade internacional, pelo opositor Edmundo González Urrutia. O resultado, no entanto, foi reivindicado por Maduro à época.

“O princípio da soberania popular precisa ser respeitado. Se houver uma transição política, o vencedor reconhecido das eleições deve ter papel central”, afirmou Bregeon, citando a posição do presidente francês.

Reações internas na França

As declarações de Macron geraram forte reação de setores da esquerda francesa. O líder da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, afirmou que a posição do presidente “não representa a França” e acusou Macron de abandonar o direito internacional. Para ele, o episódio representa um “dia sombrio” para o país.

Outros líderes políticos também criticaram o governo. O primeiro-secretário do Partido Socialista, Olivier Faure, disse que a França não pode agir como “porta-voz da Casa Branca”. Já o líder comunista Fabien Roussel classificou a postura francesa como uma “vergonha suprema”.

União Europeia pede moderação

Antes mesmo das falas de Macron, o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, já havia afirmado que a operação dos EUA contraria o direito internacional. Segundo o governo francês, as posições do presidente e do chanceler são complementares e foram discutidas internamente.

No mesmo sentido, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, pediu contenção e respeito à Carta da ONU após a ação conduzida pelo governo de Donald Trump. Apesar de a UE questionar a legitimidade democrática de Maduro, Kallas ressaltou que nenhuma circunstância justifica a violação das normas internacionais.

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