
Contrato bilionário da Petrobras entra na mira do Peru sob suspeita de corrupção internacional
Investigação ligada ao caso “Rutas de Lima” levanta indícios de propina, lavagem de dinheiro e conexões com empreiteiras brasileiras
Um contrato de grande porte envolvendo a Petrobras passou a integrar uma investigação internacional que levanta suspeitas graves de corrupção. O governo do Peru acionou a Justiça dos Estados Unidos para obter acesso a dados bancários e documentos relacionados a um acordo de cerca de US$ 1,8 bilhão (aproximadamente R$ 9 bilhões), firmado em 2025.
O caso está vinculado ao escândalo conhecido como “Rutas de Lima”, que investiga possíveis esquemas de pagamento de propina, financiamento ilegal de campanhas eleitorais e lavagem de dinheiro envolvendo concessões rodoviárias na capital peruana.
⚠️ Movimentações suspeitas e elo com empreiteiras
De acordo com documentos apresentados pelas autoridades peruanas, há indícios de movimentações financeiras consideradas atípicas próximas à assinatura do contrato com a Petrobras. Entre os nomes citados está um ex-dirigente da Odebrecht no Peru, além do empresário Ricardo Pereira Neto, controlador da EGTC Infra.
As investigações apontam para uma circulação rápida de recursos — cerca de US$ 700 mil — entre contas ligadas a operadores do esquema, incluindo conexões com executivos que atuaram diretamente no projeto “Rutas de Lima”. Segundo os investigadores, esses valores podem indicar pagamentos ilícitos associados à obtenção de contratos.
As empresas envolvidas no contrato com a Petrobras incluem a Tenenge — braço de engenharia da antiga Odebrecht (atualmente Novonor) — e a própria EGTC Infra.
💸 Suspeitas de propina e lavagem de dinheiro
O material apresentado à Justiça norte-americana sugere que os pagamentos suspeitos ocorreram em um período estratégico, próximo à formalização de contratos bilionários. Para as autoridades peruanas, isso pode indicar a continuidade de práticas ilegais mesmo após escândalos anteriores de corrupção virem à tona.
A apuração busca identificar se houve:
- Pagamento de vantagens indevidas
- Uso de empresas de fachada
- Ocultação de recursos por meio de operações financeiras complexas
A gravidade das suspeitas reforça um cenário já conhecido na América Latina, onde grandes obras públicas frequentemente acabam contaminadas por esquemas de corrupção que atravessam fronteiras.
🌎 Pedido aos EUA amplia dimensão do caso
Diante dos indícios, o governo peruano solicitou apoio da Justiça dos Estados Unidos para acessar registros financeiros que possam comprovar as transações investigadas. Caso autorizados, esses dados serão utilizados em processos criminais em andamento no Peru.
O movimento internacional mostra que o caso deixou de ser uma suspeita local para ganhar dimensão global, envolvendo instituições financeiras e contratos de grande impacto econômico.
📢 Respostas das empresas
A Odebrecht negou qualquer irregularidade e afirmou que não há relação entre os fatos investigados no Peru e contratos recentes com a Petrobras. A empresa também declarou que os executivos mencionados não participam mais de seus quadros.
Já a Petrobras afirmou que não possui operações no Peru desde 2014 e que o contrato citado refere-se a obras no Brasil, dentro do Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro. A estatal destacou que o processo seguiu critérios legais e contou com ampla concorrência.
⚖️ Um retrato preocupante
Mesmo diante das negativas, o caso reacende um alerta incômodo: a repetição de suspeitas envolvendo contratos públicos bilionários e grandes empreiteiras. Episódios como esse expõem fragilidades estruturais e alimentam a desconfiança sobre a integridade de negócios que deveriam seguir rigorosamente o interesse público.
A investigação ainda está em andamento, mas já evidencia um cenário que causa indignação: cifras gigantescas, conexões internacionais e a persistente sombra da corrupção — um problema que continua atravessando fronteiras e comprometendo a credibilidade de instituições e empresas.