
Contrato milionário levanta suspeitas e expõe falta de atuação da esposa de Moraes
Órgãos federais dizem não ter qualquer registro do trabalho de Viviane Barci, apesar de acordo que previa pagamentos milionários
Mesmo com um contrato que poderia render mais de R$ 100 milhões, órgãos federais afirmam não ter qualquer registro da atuação da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. As informações vieram a público nesta terça-feira (13) e aumentaram os questionamentos sobre a relação entre o Banco Master e a família do magistrado.
Banco Central, Cade e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional informaram oficialmente que não encontraram registros de reuniões, audiências ou sequer da presença física da advogada em suas dependências desde o início do contrato, firmado em janeiro de 2024. Na prática, os órgãos dizem desconhecer qualquer trabalho realizado por Viviane, apesar de o acordo prever justamente a atuação direta nessas instituições.
A PGFN, vinculada à Advocacia-Geral da União, afirmou ter feito consultas internas em todas as suas unidades e garantiu que não há indício algum de atuação da advogada no período analisado. O Banco Central e o Cade adotaram o mesmo discurso, reforçando que não há registros administrativos, agendas ou encontros ligados ao nome dela.
Acordo previa atuação ampla e valores elevados
O contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões. O documento detalhava a criação de núcleos de atuação junto ao Judiciário, ao Congresso Nacional e a órgãos estratégicos do Executivo, como Banco Central, Receita Federal, Cade e PGFN.
Caso o acordo fosse cumprido até o fim, em 2027, o valor total poderia chegar a cerca de R$ 130 milhões — justamente no ano em que Alexandre de Moraes deverá assumir a presidência do STF. A coincidência de datas e a ausência de registros concretos de trabalho reforçam as críticas e levantam suspeitas sobre possível conflito de interesses.
Contatos do ministro com o Banco Central aumentam desgaste
A situação se torna ainda mais delicada diante das informações de que Alexandre de Moraes teria mantido contatos diretos com o presidente do Banco Central para tratar de assuntos ligados ao Banco Master. Segundo a apuração jornalística, houve ligações telefônicas e ao menos uma reunião durante o período em que se analisava a compra do banco pelo BRB.
Enquanto o Cade aprovou a operação, o Banco Central acabou vetando o negócio após identificar irregularidades e possíveis fraudes. O contraste entre as decisões e a inexistência de provas da atuação contratada só ampliou a desconfiança em torno do acordo.
Silêncio e indignação
Até agora, Viviane Barci de Moraes não se manifestou publicamente. O silêncio, somado à falta de registros oficiais, alimenta críticas e gera forte repúdio à postura da família de um dos ministros mais poderosos do país, especialmente diante da cobrança constante por ética, transparência e rigor institucional.
O caso segue repercutindo e reforça o desgaste da imagem de Alexandre de Moraes, que já enfrenta questionamentos sobre sua atuação pública e agora vê sua esfera familiar envolvida em um contrato milionário sem comprovação efetiva de trabalho.