
Correios congelam licitação milionária em meio a rombo bilionário — mas deixam porta aberta para retomar gasto
Mesmo com prejuízo histórico e pressão por cortes, estatal pode retomar contrato publicitário de R$ 380 milhões se as finanças melhorarem
Num momento em que os Correios afundam em um buraco financeiro sem fundo, a estatal decidiu colocar o pé no freio — pelo menos por enquanto — em uma licitação de publicidade que previa gastar nada menos que R$ 380 milhões por ano. A suspensão foi aprovada discretamente numa reunião de cúpula da empresa, longe dos olhos do público. Mas, apesar da crise, a direção fez questão de deixar claro: se o caixa melhorar, o processo pode voltar à mesa.
A licitação em questão visava contratar quatro agências de publicidade. E, não bastasse o rombo bilionário da empresa, três das finalistas já apareceram em investigações envolvendo o PT, o que só aumenta a desconfiança sobre os critérios adotados.
O presidente dos Correios, Fabiano Silva, foi quem sugeriu a suspensão temporária. O conselho topou. Mas o Tribunal de Contas da União (TCU) — que analisava o edital — não encontrou qualquer irregularidade, o que, para muitos, acende o sinal amarelo: será mesmo que a suspensão é definitiva ou é só para inglês ver?
No primeiro trimestre de 2025, os Correios amargaram um prejuízo de R$ 1,7 bilhão — o pior desde que se começou a contar essa história, em 2017. E 2024 também não foi bonito: R$ 2,6 bilhões de rombo. Para tentar apagar esse incêndio, a empresa prometeu à equipe econômica cortar R$ 1,5 bilhão ainda este ano, apostando, entre outras medidas, num programa de demissão voluntária.
Mesmo com o buraco crescendo, os bastidores apontam que os Correios ainda esperam um respiro vindo do Novo Banco de Desenvolvimento, o famoso “Banco do Brics”, presidido por ninguém menos que Dilma Rousseff. O valor do resgate? R$ 3,8 bilhões.
Curiosamente, poucos dias depois da reunião com o conselho, Fabiano Silva pediu demissão a Lula. Mas continua sentado na cadeira, esperando que o presidente escolha quem vai substituí-lo. Se até o dia 6 de agosto essa novela não tiver fim, o conselho terá que reconduzi-lo ao cargo, segundo as regras da própria empresa.
Enquanto isso, os brasileiros, que enfrentam serviços cada vez mais precários, assistem a tudo isso em silêncio forçado. Uma estatal à beira do colapso ainda cogita torrar quase meio bilhão em publicidade. O país do desperdício segue firme — agora, com selo e carimbo oficial.