
Correios no buraco: Lula precisa assinar “cheque de resgate” bilionário para estatal afundada em prejuízos
Cinco bancos só toparam emprestar R$ 20 bilhões porque o Tesouro — ou melhor, os contribuintes — foi chamado para ser fiador do calote.
A crise dos Correios virou uma novela cara, longa e com final imprevisível. Para tentar impedir que a estatal afunde de vez, o governo Lula correu aos bancos pedindo um empréstimo de R$ 20 bilhões. Mas as instituições foram claras: só liberam o dinheiro se o Tesouro Nacional entrar como fiador. Em bom português: se os Correios não pagarem, quem cobre a conta somos nós — os brasileiros que já sustentam impostos, taxas e agora, aparentemente, resgates de estatais falidas.
O consórcio financeiro inclui Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Safra. As condições? Até agora, nenhuma detalhada. O que se sabe é que a operação foi aprovada internamente pelos Correios, mas só vai andar depois de Lula assinar um decreto e uma portaria autorizando o Tesouro a colocar o pescoço na guilhotina da garantia.
E por que Lula precisa colocar sua assinatura? Porque servidores do próprio Tesouro estão com medo de levar a culpa caso o negócio desabe no futuro. O famoso “apagão das canetas” — ninguém quer assinar nada que possa virar problema judicial — acabou empurrando o presidente para o centro da operação.
E o plano de resgate não termina nos R$ 20 bilhões. A direção dos Correios quer lançar um pacote de medidas que inclui programa de demissão voluntária, reforma no plano de saúde dos funcionários, venda de imóveis que podem render cerca de R$ 1,5 bilhão e o fechamento de até mil agências deficitárias. A aposta é cortar custos, enxugar a estrutura e tentar modernizar a empresa para 2027 — data em que, segundo previsões otimistas, os Correios voltariam ao lucro.
Só que o buraco é fundo. Durante o terceiro mandato de Lula, os prejuízos só cresceram. Em 2023, o rombo foi de R$ 633 milhões. Em 2024, saltou para R$ 2,6 bilhões. E em 2025, até setembro, já chegava a R$ 6,1 bilhões — podendo bater R$ 10 bilhões até o fim do ano.
Para 2026, as estimativas internas são assustadoras: mais R$ 20 bilhões de prejuízo se nada for feito, impulsionados por multas contratuais, despesas crescentes e perda de receitas que não param de cair.
Entre os motivos citados estão aumentos salariais sucessivos, custos explosivos com plano de saúde, tributos sobre compras internacionais baratas, precatórios e a manutenção de centenas de agências deficitárias que seguem funcionando por inércia.
O próprio Ministério da Fazenda já admitiu que a situação dos Correios se tornou um problema real para as contas públicas. O secretário-executivo Dario Durigan reconheceu, em entrevista recente, que os números da estatal puxaram o desempenho fiscal do governo para baixo — e que o impacto deve ser ainda mais pesado no ano seguinte.
No fim das contas, o recado é claro:
sem o decreto de Lula, sem dinheiro. Sem dinheiro, sem Correios. E com Correios, sobra para o contribuinte.