
CPI do Crime Organizado ouve presidente do Banco Central sobre caso Banco Master
Gabriel Galípolo afirma ter atuado com autonomia e nega interferência política em decisões
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado ouviu, nesta quarta-feira (8), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em uma sessão marcada por questionamentos sobre a atuação da autoridade monetária no caso envolvendo o Banco Master. A audiência, realizada no Senado, durou menos de duas horas.
Galípolo detalha cenário ao assumir o Banco Central
Logo no início do depoimento, Galípolo explicou que encontrou uma situação delicada ao assumir o comando do Banco Central, em janeiro de 2025. Meses antes, a instituição já havia negado a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília e, posteriormente, determinou a liquidação da instituição financeira.
Segundo ele, todas as decisões foram tomadas com base em critérios técnicos e dentro das normas regulatórias.
Reunião no Planalto entra na pauta da CPI
Um dos principais pontos abordados pelos senadores foi uma reunião ocorrida no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do empresário Daniel Vorcaro.
De acordo com Galípolo, durante o encontro, Lula deixou claro que o tema deveria ser tratado exclusivamente pelo Banco Central, sem interferência política. O presidente da República teria reforçado que a análise deveria seguir critérios técnicos e com total autonomia.
Autonomia e orientação técnica foram destacadas
Galípolo afirmou que recebeu orientação para atuar com independência, sem favorecer ou prejudicar qualquer envolvido. Segundo ele, o foco sempre foi conduzir o processo de forma técnica e responsável.
O dirigente destacou ainda que teve liberdade para investigar e tomar decisões, independentemente de quem estivesse envolvido, reforçando o caráter institucional da atuação do Banco Central.
Campos Neto é citado e tem atuação isentada
Durante a sessão, parlamentares também questionaram a gestão anterior, comandada por Roberto Campos Neto.
Galípolo afirmou que não há, até o momento, qualquer evidência de irregularidade envolvendo o ex-presidente em auditorias ou processos internos relacionados ao caso.
Relação com STF entra em discussão
Outro ponto levantado foi uma possível interlocução com o ministro Alexandre de Moraes, especialmente após a divulgação de informações sobre pagamentos do Banco Master ao escritório de advocacia ligado à esposa do magistrado.
Galípolo negou qualquer conversa com Moraes ou outros ministros do Supremo Tribunal Federal sobre o caso. Segundo ele, os contatos institucionais com membros da Corte ocorreram apenas em contextos distintos, relacionados a temas como sanções internacionais.
CPI se aproxima do fim e relatório é aguardado
A CPI do Crime Organizado deve encerrar seus trabalhos no dia 14 de abril, após decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de não prorrogar o prazo da comissão.
A expectativa agora é pela apresentação do relatório final, que deverá consolidar as conclusões das investigações e apontar eventuais responsabilidades no caso do Banco Master.